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Voluntários para voluntários

Fernanda Silva, especial para o Cidadania

Rede conecta pessoas dispostas a ajudar com ONGs que necessitam de mão de obra

Fotos: Divulgação
Foto: Divulgação
A Galera do Click incentiva pessoas com Síndrome de Down a tornarem-se fotógrafos

Mãe do judoca Felipe Reis, primeiro paulista faixa preta com Síndrome de Down, Sandra Reis levava seu filho para acompanhar seu trabalho como fotógrafa de espetáculos de dança. A princípio, ele era mero espectador – da apresentação das bailarinas e da ocupação da mãe. Foi uma questão de tempo para ele se tornar protagonista. Com dedo engatilhado, Felipe mirava os movimentos das dançarinas e o resultado eram belas fotos, motivo de orgulho e, porque não, curiosidade de Sandra, que descobria mais um talento em seu filho.

A idade mostrava a Sandra que Felipe precisava encontrar uma tribo, com a qual ele se identificasse, já que ele não se sentia integrado com os demais alunos do ensino regular. Ela o matriculou em um curso de teatro voltado para pessoas com Síndrome de Down, onde ele, finalmente, conheceu gente que compartilhava sua vivência. Para unir e descobrir outras competências nos novos amigos de Felipe, surgiu, em seguida, a ideia de fazer um curso de fotografia destinado a eles.

Ensinando quase 100 jovens com deficiência intelectual, Sandra necessita de voluntários. Encontrá-los, entretanto, nunca foi fácil. “A desinformação é um problema, as pessoas têm medo da deficiência justamente por não a conhecer”, destaca a entusiasta, que viu muitos potenciais ajudantes abandonando a causa antes mesmo de conhecê-la.

Por um “pré-conceito”, como define a idealizadora, muitos voluntários acabam desistindo da ideia de participar do projeto. “As pessoas com Síndrome de Down são normais, com características como qualquer outra. Para trabalhar algumas habilidades com esses alunos, precisamos ser lúdicos. Eles precisam pegar o gosto por capturar imagens e ter certeza de que podem fazer isso sozinhos”, ressalta Sandra. Entendendo a necessidade de apoio externo e de voluntários comprometidos, Sandra cadastrou a Galera do Click, sua ONG, no Atados.

Conectando boas pessoas

A Atados é uma plataforma que conecta organizações e voluntários. “Funcionamos como uma ponte gratuita entre eles”, destaca Cristiane Tsugiyama, diretora de comunicação da organização. Nela, apenas iniciativas da região metropolitana de São Paulo, Curitiba, Rio de Janeiro e Brasília podem se inscrever e criar vagas, ou seja, oportunidades, para quem deseja ajudar, mas ainda não sabe a quem. “Um dia depois do que eu postei, já tinham pessoas interessadas. Os voluntários estão sempre antenados no site”, conta Sandra Reis. “O mais legal é que eles revisam a vaga. Assim, ela se torna mais atrativa para que as pessoas participem”, conclui a mãe de Felipe.

Foto: Divulgação
Sandra transformou sua profissão em hobby do filho

Enquanto os projetos e iniciativas cadastram os perfis que necessitam, os voluntários se mobilizam e podem procurar oportunidades em que se encaixam. “Há muitas vagas que são especializadas, como para engenheiros, jornalistas ou designers, por exemplo”, explica Cristiane. “Existem vagas pontuais, que são para ações de duração curta, assim como vagas que exigem mais tempo e são recorrentes”.

Hoje, são quase 500 oportunidades de voluntariado, 76 mil pessoas inscritas e 1.294 organizações cadastradas. “Mas esse número varia todo dia. Sempre tem novas vagas abertas ou ocupadas”, conta Cris. “Além disso, nem todos voluntários estão atuando agora, mas existem também os que estão em mais de um projeto”.

“O número de trabalhos oferecidos e de pessoas participando vem crescendo exponencialmente e, conectar essas pessoas, é um trabalho de rede”, afirma Cris. Na iniciativa, projetos que envolvem crianças, jovens, idosos e proteção animal são os mais buscados. “Mas a gente sempre tem umas vagas diferentes. Buscamos acabar com esse estigma”, ressalta.

Segundo ela, a cada dez vagas ofertadas, nove são preenchidas. Alguns voluntários, entretanto, abandonam a oportunidade antes do seu fim. “O lado negativo é que há pessoas que não se comprometem. Prometem que virão, mas nunca aparecem”, desabafa Sandra. “Meu objetivo é conseguir muitas pessoas para ajudar a Galera do Click. Assim, não vou tomar muito o tempo delas e seria ótimo saber que posso contar com elas nesses dias específicos”, finaliza. Para Cris, apesar de alguns não serem tão dedicados, a maior parte se dedica ao que propõem. “Ainda falta um pouco do senso de responsabilidade por parte de alguns. Outros, por sua vez, são muito empenhados e participam de diversas ações”, destaca.


MAIS INFORMAÇÕES:

http://galeradoclick.org/
https://www.atados.com.br/