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Verdade ou desafio?

Fernanda Silva, especial para o Cidadania

Em tempos de redes sociais e importantes decisões políticas, ficar atento às notícias falsas é essencial

Foto Divulgação
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Luis Mauro: “O jornalismo é a melhor solução, o melhor preventivo e o melhor remédio contra as Fake News”

Foi depois de receber um vídeo no WhatsApp que Sirley Barbosa não pestanejou: tirou o micro-ondas da tomada e o jogou fora. A mensagem mostrava supostos especialistas. Eles, por sua vez, falavam dos males do uso do eletrodoméstico. “O vídeo dizia que se você aquecer água no micro-ondas, esperar esfriar e regar plantas com ela, os vegetais morreriam por causa dos efeitos das ondas na água. Outro exemplo é que, se colocar um peixe nesse mesmo líquido, o animal também faleceria porque o fluído está contaminado”, conta Giulia Barbosa, filha de Sirley.

Assim, acreditando que o uso do aparelho fazia mal para a saúde, já que a mensagem parecia verídica, o micro-ondas foi parar no lixo. “Fiquei desacreditada porque ela nem considerou perguntar se o vídeo era verdade ou não”, destaca Giulia. “Ela acreditou porque o vídeo realmente parecia algo confiável e sério”, conta.

Sirley não é exceção. Segundo levantamento da PSafe (uma desenvolvedora de aplicativos para celulares), cerca de 8,8 milhões de pessoas no Brasil foram impactadas por notícias falsas em apenas três meses no início do ano. Embora a ideia de Fake News (em português, notícia falsa) é antiga, a expressão começou a ser usada cerca de dois anos atrás, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou em suas redes sociais que algumas notícias sobre ele eram “fakes”. “Foi a partir daí que se começou a discutir o que são Fake News, o que é uma notícia falsa, uma notícia verdadeira”, lembra Luis Mauro Sa Martino, professor da Faculdade Cásper Líbero.

O que diferencia a Fake News de um simples erro ou de uma mentira é basicamente a intenção política. Se o episódio do micro-ondas somente impacta a vida da família de Giulia e, quem sabe, dos fabricantes do eletrodoméstico, outras mensagens enviadas nas redes sociais podem prejudicar imagens, dessa vez com intuito político. “Uma mentira pode ter várias intenções e, evidentemente é algo errado. Um engano também pode acontecer. Mas, a Fake News é plantada justamente para ter alguma repercussão política. Para ajudar alguém ou prejudicar alguém”, explica o professor.

Segundo ele, discutir essa questão é muito importante, principalmente no atual contexto político e eleitoral brasileiro. “O modo como uma notícia é apresentada para mim pode me ajudar a construir a opinião política, que eu tenho. Então, quando eu recebo uma informação falsa, ela pode sim ajudar na construção da minha opinião”, ressalta. Luis Mauro, entretanto, destaca: “Uma notícia não é suficiente para mudar minhas opiniões. Ela vai ajudar a reforçar pontos de vista que eu já tenho”.

Como combatê-las?

As mídias digitais são ambientes propícios para a proliferação das notícias falsas. Com uma constante e grande quantidade de informações circulando, é difícil checar quais são verdadeiras. Para diferenciar uma notícia verdadeira de uma falsa, o melhor caminho ainda é desconfiança. “É preciso perguntar: quem me mandou a notícia? De onde essa pessoa tirou essa informação?”, destaca Luis Mauro.

Além disso, é válido também verificar a data da publicação. “Às vezes uma notícia antiga reaparece na nossa timeline e, em um contexto totalmente diferente, não significa nada”, ressalta o professor. Vale se perguntar também se a notícia vem de algum lugar onde possa ser checada. “Nesse ponto, o jornalismo é a melhor solução, o melhor preventivo e o melhor remédio contra as Fake News”, finaliza.

Foto Fernanda Silva
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Por serem aquecidos no micro-ondas, os alimentos não ganham a característica de serem cancerígenos

Mas, afinal, o micro-ondas pode contaminar os alimentos?

É Fake News! Segundo Humberto Megiolaro, professor de física, a água não muda de propriedade, não passa a ser nociva ou cancerígena porque ela foi aquecida no micro-ondas. “Essa concepção provavelmente acontece porque as ondas emitidas pelo micro-ondas são cancerígenas, mas o micro-ondas é blindado, então, quando ele está funcionando, nenhuma daquelas ondas passa para o ambiente”, destaca. Dessa forma, não há riscos em ficar ao lado do micro-ondas quando ele está em funcionamento, por exemplo.

Além disso, as ondas não transmitem essa característica (de serem cancerígenas) para os alimentos ou para a água que são esquentados no eletrodoméstico. “As ondas transmitem energia térmica para os alimentos e para a água, mas não ficam ali nem torna o que foi aquecido em algo cancerígeno”, finaliza o professor.