GRUPO DE CIDADANIA EMPRESARIAL


Desenvolvimento de programas socio-educativos.

Entre em contato e torne-se um parceiro do Grupo.

Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.

Inscreva-se para receber nossas informações e novidades.

Urbanização para todos

Fernanda Silva, especial para o Cidadania

Iniciativa propõe troca de conhecimentos entre moradores do Paraisópolis, em São Paulo, e arquitetos

Fotos: Divulgação
Foto: Divulgação
Com ajuda de Ataide, a Urbz oferece um conhecimento mútuo

O que era para ser um terreno de residências de alto padrão em São Paulo (SP), se tornou, na década de 1920, uma área invadida por pessoas de baixa renda. Só em 2005, a maior favela paulistana, Paraisópolis, viu iniciar-se um processo de urbanização e regularização dos imóveis lá construídos ilegalmente. Abrigando 42.826 moradores, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) estima que são aproximadamente 13 mil domicílios ocupados. Destes, 470 foram erguidos pelo pedreiro Ataíde Caetite, que é membro da Urbz, iniciativa que propõe troca de experiências entre os moradores da comunidade e interessados em construir um conhecimento para planejamento e desenvolvimento urbano.

“O nosso trabalho vem realizando iniciativas destinadas a sensibilizar a comunidade por meio de pequenas intervenções teórico-práticas, promovendo a discussão sobre o que é a habitação e o espaço público”, explica o arquiteto Fernando Botton, fundador da Urbz Brasil. Desde 2012, o grupo promove workshops participativos, conferências, seminários, ateliês e exposições nacionais e internacionais. Envolvendo profissionais, estudantes, instituições e comunidade, eles discutem as necessidades dos próprios moradores dentro de um território complexo como Paraisópolis. “O desafio é justamente pensar soluções para os problemas da região, apropriando-se da cultura e do modo de fazer já existentes, de maneira a potencializá-los”, destaca Fernando.

Foto: Divulgação
Grupo faz visitas a Paraisópolis para compreender a comunidade e suas necessidades

“Acreditamos que os verdadeiros conhecedores de um território são os que nele habitam”, conta o idealizador. Ataide é um desses locais, membro do projeto e interlocutor regional. “Com minha experiência, ajudo alunos de arquitetura que precisam de conhecimento sobre construção civil. Levo eles para as obras, para entenderem elas como funcionam”, explica.

Procurando oportunidades para colaborar com grupos existentes trabalhando em contextos informais, a italiana Valentina Mion encontrou na Urbz o espaço que buscava. “O grupo apoia a importância do design colaborativo e do conhecimento direto dos lugares em que opta por intervir, especialmente quando se trata de territórios informais”, destaca. “Acho que é hoje um dever e uma missão dos arquitetos e urbanistas contemporâneos usar seus conhecimentos de forma proativa e educativa ao serviço das comunidades locais”.

Foto: Divulgação
Com as invasões na década de 1950, muitas moradias foram construídas sem autorização

As ações colaborativas buscam articular aspectos técnicos e científicos dos arquitetos com o saber do pedreiro local e o modo de vida de seus habitantes. “Em regiões de moradia informal, como Paraisópolis, as relações existentes entre a moradia e a saúde dos moradores são percebidas de forma evidente, seja na precariedade da rede de saneamento, presença de lixo constante ou na escolha de materiais utilizados na construção destas moradias”, ressalta Valentina.

Segundo a arquiteta, ainda existe uma parcela significativa de moradias informais e invisíveis ao poder público local e aos organismos internacionais. “É necessário intervir com micro ações urbanas úteis para melhorar as condições de salubridade do ambiente doméstico e sobretudo contribuir para a conscientização relacionada à salubridade do habitar”, ressalta a italiana. ”O objetivo final deve ser gerar melhoria na qualidade de vida da população residente”, finaliza.

 


MAIS INFORMAÇÕEShttp://urbz.net/