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Uma casa muito engraçada

Fernanda Silva, especial para o Cidadania

Iniciativa reforma casas no bairro de Heliópolis e ajuda população a ter moradia saudável

Fotos: Divulgação
Foto: Divulgação
Muitas casas não têm reboco e os tijolos ficam expostos. Isso pode gerar infiltração e, eventualmente, problemas respiratórios.

Depois de 17 anos morando de aluguel em uma pequena casa no bairro de Heliópolis, na Capital Paulista, Karina de Oliveira Santos finalmente conseguiu o dinheiro para comprar seu próprio lar. Mas não era muito quando começou a construir. Primeiro, veio a cozinha, quadrada e pequena, acompanhando o formato do terreno. Depois, em cima dela, foi construído o quarto. Nele, só foi batido laje e as paredes erguidas. Além disso, o acesso ao cômodo não foi o ideal, já que a escada caracol foi mal instalada. Ainda, no terceiro andar, construíram a lavanderia. Mas aí, apesar do grande esforço da doméstica e de seu marido, que trabalha estampando camisetas, o dinheiro acabou e a casa ficou sem contra piso, sem piso, rem reboco, sem janela, sem porta, sem nada.

A situação até dava para se virar, mas o acesso ao quarto, dividido entre o casal e os dois filhos, seguiu causando transtornos à família. Foi então que eles resolveram pedir ajuda. Recorreram até o centro de apoio do Habitat para a Humanidade Brasil da comunidade e contaram a situação. Veio, então, a realização. “O projeto ajudou a deixar minha casa do jeito que eu sonhava, eu não tinha condições de fazer o que eles estão fazendo por mim, me ajudaram muito”, conta Karina, sem esconder o sorriso na voz.

Isso porque a iniciativa acredita que é preciso ter uma moradia saudável para que se possa ter uma vida da mesma maneira. “Geralmente, se mede o déficit quantitativo habitacional, ou seja, as pessoas que não têm moradia. Mas há também o qualitativo, que são pessoas que têm casa, em regiões consolidadas, mas que não estão nas condições ideais, já que são insalubres”, explica Denis Pacheco da Silva, coordenador de programas da Habitat.

Vendo no Heliópolis um desses lugares consolidados, com mais de 40 anos e onde os moradores não correm o risco de remoção, a iniciativa resolveu se instaurar. Lá, o cenário é visível e comum. São, geralmente, casas de quatro pavimentos, construídas de forma irregular, sem supervisão e assistência técnica. As casas têm pouca ventilação e muitas vezes, a única entrada de ar é a própria porta. “Tem muito problema também de umidade, sem laje apropriada, sem reboco, eles têm muito problema de acumulo de agua, o que causa muitos fungos”, destaca Denis. “Há problemas estruturais também, como escadas desregulares, lugares sem corrimão, pisos soltos, que pode machucar”.

A fim de produzir uma moradia que ofereça menos riscos e uma melhor qualidade de vida, o projeto oferece pequenas reformas às famílias cadastradas e selecionadas. “É um filtro para ver quem mais precisa. Passa frente quem tem mais urgência. As reformas não são estéticas, são visando uma melhoria na saúde”, ressalta Denis, que ainda conta que 85% dos cadastros são feitos por mulheres. Além disso, também é oferecido capacitações sobre o que é uma moradia saudável. “É uma forma de empodeirar, prevenir doenças, viver de uma forma confortável”.

Foto: Divulgação
O adensamento é um dos problemas da região

Feita com muito esmero

Receber o benefício, entretanto, não é de graça. Enquanto o projeto paga 70% dos gastos, por meio de doações, os outros 30% são bancados pelo próprio morador. Para isso, o beneficiado tem a facilidade de parcelar o valor em até 18 vezes. O dinheiro é destinado a uma associação comunitária e retorna à comunidade.

A iniciativa também oferece educação financeira e ajuda os moradores a gerenciar seu dinheiro. “Eles têm uma parcela a pagar e nem todos têm conhecimento de como se organizar para pagar. Ensinamos a somar todos os gastos, entender o que é gasto fixo, ver quanto pode pagar por mês, em quantas vezes precisam parcelar”, destaca Denis.

As famílias que não têm renda suficiente para bancar o valor, têm todas as despesas cobertas. Deste modo, quem paga os 30% são pessoas voluntárias, que se organizam para captar dinheiro, por meio de vaquinhas online. Ainda, quem, por ventura não é selecionado para ter a casa reformada ganha a chance de participar de um microcrédito local, que tem um crédito mais baixo.

“Estou no auge da minha felicidade de ver minha casa ficando pronta, está muito além da minha expectativa, estou muito feliz”, conta a doméstica Karina Santos. “O projeto ajuda muitas pessoas, trabalhadoras, honestas, que precisam de ajuda, de um empurrão como esse, para poder ter dignidade de moradia, morando da melhor forma possível mesmo com toda nossa simplicidade”.

Ela conta que, por meio do Habitat, ela tem a possibilidade de ver sua casa com reboco na parede, contra piso, piso no chão, azulejo, massa corrida. “Uma coisa mais bonitinha, e não apenas tijolos. Vou realizar meu sonho de ver ela do jeito que eu queria”.

A Habitat existe há 40 anos, em 70 países -25 anos só no Brasil. Cada lugar tem um problema relacionado a moradia diferente. “É uma questão muito complexa. A declaração universal dos direitos humanos prevê habitação como direito básico, o difícil é fazer isso sair do papel”, destaca Mario Vieira, Diretor executivo do projeto. “O Brasil tem um grande déficit nisso, mas os números são imprecisos, já que as pesquisas são quantitativas. Muita gente tem um local para morar, mas em péssimas condições”, finaliza.


MAIS INFORMAÇÕES: https://habitatbrasil.org.br/