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Um lembrete à mídia: nós, mulheres, existimos e somos plurais

Yasmin Toledo Barros (*)

Foto Divulgação
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A falta de representatividade relaciona-se com toda a opressão vivenciada por mulheres

Apesar de configurarem metade da população mundial, e em casos como o do Brasil representarem a maioria populacional, as mulheres ainda são esquecidas pela mídia. Independentemente do setor em questão, seja na publicidade, no audiovisual ou no jornalismo, a presença feminina em produtos como filmes, reportagens e propagandas permanece significativamente menor do que a de homens, e quando presente, o papel de mulheres ainda tende a perpetuar estereótipos que deixam de lado qualquer traço de complexidade psicológica e pluralidade em recortes de classe, cor e sexualidade.

Ainda que 22 anos tenham se passado desde a IV Conferência Mundial da Mulher, que, em setembro de 1995, configurou a mídia como uma das 12 áreas de preocupação sobre o direito feminino, poucas mudanças aconteceram desde então. Estudos feitos em 2013 na Universidade de Nevada revelaram que apenas 19% dos entrevistados do New York Times são mulheres, e não é necessário muito esforço para constatar esse mesmo sexismo presente também na maioria dos veículos jornalísticos - internacionais ou não - e em produções cinematográficas e publicitárias ao redor do globo.

Na área audiovisual, críticos desenvolveram uma estratégia para analisar a presença feminina em filmes. Teste de Bechdel foi o nome escolhido para designar a atividade que verifica se há na produção pelo menos uma cena em que duas ou mais personagens mulheres conversam entre si sobre algo que não seja homens. De acordo com a metodologia e segundo pesquisas realizada pela BBC, menos da metade dos filmes premiados com o Oscar até 2018 foram capazes de passar na avaliação. As estatísticas são ainda mais alarmantes quando comparados os tempos de falas entre personagens femininos e masculinos.

A falta de representatividade relaciona-se diretamente com toda a opressão vivenciada por mulheres diariamente. Se a voz feminina não for levada à mídia - e levada a sério - assuntos como direitos reprodutivos e combate ao assédio continuarão como pautas secundárias a serem debatidas majoritariamente por homens. E se não representadas a partir de suas pluralidades de classe, cor e sexualidade, mulheres continuarão retratadas de maneira objetificada, rasa ou como tentativas falhas de refletir todo um grupo a partir de pouquíssimas representantes.


* Yasmin Toledo Barros cursa jornalismo na Faculdade Cásper Líbero e integra o grupo de ação da Frente Feminista Casperiana Lisandra