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Troca para a vida

Fernanda Silva, especial para o Cidadania

Beneficiados pelo projeto #NãoÉMito recebem cadeiras trocadas por lacres de latinhas

Fotos: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
Fernando Aranha sabe, por experiência própria, a importância de ter uma cadeira adaptada

Uma mielomeningocele colocou Samuel da Silva na cadeira de rodas ainda nos primeiros meses de vida. A malformação congênita da coluna vertebral tirou dele a possibilidade de andar. “Tive muito medo dele não ter independência. Ele já nasceu assim, então, foi um choque para um primeiro filho”, lembra Amanda Oliveira da Silva, dona de casa e sua mãe. Hoje, entretanto, ela comemora a liberdade conquistada pelo filho, que no último dia 9 conquistou mais mobilidade com ajuda da iniciativa #NãoÉMito. Isso porque o jovem ganhou uma cadeira de rodas nova e adaptada especialmente à sua condição.

“A outra era mais pesada, essa é bem mais leve. Consigo ir sozinho, eu não preciso de ajuda”, compara Samuel com a cadeira que usava até então. Ele foi uma das cinco crianças presenteadas pela inciativa do projeto Entre Rodas, que arrecada lacres de garrafas e as trocas pelo equipamento.

Para beneficiar os cinco jovens, as cifras são altas, já que uma cadeira custa, aproximadamente R$5.400,00 – e a ONG recebe metade do valor como doação dos fabricantes. A conta é clara: um quilo de lacre tem cerca de quatro mil peças e é vendido por aproximadamente R$3,40. Deste modo, para comprar cinco cadeiras, é preciso cerca de 4 mil garrafas pets cheias de peças. Em outro número, aproximadamente 16 milhões de pecinhas de alumínio.

Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
Robson foi um dos beneficiados pela entrega promovida pela #NãoéMito

O objetivo do projeto é entregar 180 cadeiras até o final do ano – até agora 30 foram doadas. Para o entusiasta Fernando Aranha, atleta paraolímpico e cadeirante, o projeto quer desmistificar a campanha que envolve o recolhimento de lacres de latinhas para ajudar quem precisa de um equipamento adaptado a suas necessidades. “Uma cadeira convencional, para quem é usuário diário, não existe. Ela precisa ser personalizada. Cada deficiente precisa de uma característica para ajudar no desenvolvimento diário. É exatamente isso que a gente necessita sanar”, explica, por experiência própria. “Não estamos dando uma cadeira para ela sentar. Estamos dando um equipamento para que ela possa viver sua vida diária da maneira mais plena possível”.

Para Amanda e Samuel, a cadeira veio em boa hora. “Eu e meu marido não temos condições de dar uma cadeira dessas para ele. É caro. Meu marido trabalha em casa, então, a gente não tem condições”, conta, cuidadosa. Assim como ela, as outras famílias também comemoraram o ganho. “Eu nem acreditava nessa história de lacre, hoje, acredito. Achava que era mentira, até cheguei a juntar e jogar fora“, destaca Maria do Carmo, avó de Jonathan Rafael Lopes Reis, 13 anos, que também conquistou uma cadeira. “Passei a juntar e pedir para as pessoas. Comecei a ajudar pensando nas outras crianças e, por fim, ajudou meu neto também”, celebra.

Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
A iniciativa conta com o apoio de diversas ONGs e instituições para arrecadar os lacres

Unindo forças

Para arrecadar tantos lacres, é preciso mobilização. Além de pessoas físicas, outras iniciativas se unem a causa para promover maior igualdade às pessoas com deficiência. É o caso do Projeto Pedal Voluntário, um grupo de ciclistas que ajuda outras ongs a cada dois meses, mas que tem um projeto permanente com o #NãoÉMito. “Acho que deu uma empatia e deu muito certo. O pessoal abraçou a causa. Eu quis juntar o andar de bicicleta com o trabalho voluntário”, destaca a ciclista Lilian Frazão, que há seis anos faz trabalhos voluntários.

Quem também apoia a iniciativa é a Fiesp. Além de fornecer o espaço para eventos, como a entrega das cadeiras, a rede é um ponto de arrecadação, em sua sede, na Avenida Paulista. “Esse é um trabalho de conscientização. Muitas pessoas tiram os lacres e não sabem se é verdade ou mito. Aqui é uma conscientização para mostrar que realmente isso vai se transformar em uma cadeira de rodas”, destaca Alexandre Pflug, diretor de Esporte e Qualidade Vida do Sesi-SP.