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Sorriso, amor de cara

Fernanda Silva, especial para o Cidadania

Levar saúde a locais vulneráveis é o objetivo de uma ONG que não mede esforços para resgatar risadas

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Os serviços são oferecidos a crianças, adolescentes e adultos das regiões beneficiadas pela Por1Sorriso

Era véspera do aniversário de 16 anos de Nayara. Moradora de Dondo, Moçambique, na África, ir ao dentista era um luxo — ao qual ela nunca havia se rendido. Os dentes gastos, corroídos, escuros e comprometidos entregavam, literalmente, de cara, a precária higiene bucal.

O cenário mudou com a chegada de brasileiros dispostos a ajudar a comunidade em que a jovem mora. A missão era levar mais saúde a quem vive em situação social vulnerável. Durante o atendimento, Nayara viu a luz acabar. Paula Carolina Mendes Santos, dentista responsável pela consulta, entretanto, não desistiu de prosseguir o tratamento e as restaurações.

“Uma pessoa que estava no apoio ficou iluminando para mim com a lanterna do celular enquanto eu terminava o procedimento”, lembra. “Ficamos ali umas duas horas e meia”, destaca a encarregada por resgatar o sorriso de Nayara.

Fotos: Arquivo Pessoal
Foto: Arquivo Pessoal
Apesar do apagão durante o atendimento, o grupo não parou de trabalhar. Nayara, antes e depois do tratamento.

Durante o procedimento, Paulinha, como a dentista é carinhosamente chamada, sentiu dores nas costas. Ela abriu mão da cadeira e se rendeu aos joelhos. “Em Belo Horizonte, nunca tive a oportunidade de mostrar minha humildade e perder minha preocupação em estar bonita. Naquele momento, meu único objetivo era atender a paciente. O bacana é que a gente se dispõem a fazer isso de uma forma sem se preocupar se está bom ou bonito”, conta a mineira.

Há menos de seis meses na organização, a dentista coleciona boas histórias. “O amor e a vontade de fazer a coisa é tão grande que o pouco que conseguimos fazer se torna algo tão lindo”, destaca a voluntária do Por1Sorriso. O projeto foi fundado há dois anos por Felipe Rossi, com o foco de levar saúde bucal para comunidades de São Paulo e de todo o Brasil. Em pouco tempo, o número de voluntários cresceu e, com isso, o próprio projeto foi tomando proporções maiores.

Foto: Divulgação
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Além de tratamento odontológico, outros serviços são oferecidos pela organização

Paula viu na iniciativa uma forma de atuar voluntariamente dentro de sua profissão. “Isso foi muito interessante e motivador para mim”, lembra. Assim que uma ação é fechada, o grupo começa a pensar na logística para colocá-la em prática. Para cada missão mundo afora, centenas de quilos de equipamentos são despachados. “Precisamos definir quantas cadeiras iremos levar para viagem, saber o tipo de tomada e a voltagem local e até o espaço ideal para os atendimentos acontecerem da melhor forma possível”, destaca Thais Kubo, coordenadora de odontologia.

“Levamos todos os instrumentais e materiais que utilizamos. A ONG busca uma odontologia humanizada, e os voluntários sabem que irão atender nas ações como atendem em seus consultórios, com muito amor e utilizando materiais da melhor qualidade”, ressalta Thais. O projeto vive do apoio de marcas relacionadas à odontologia, além de doações mensais, eventos e leilões.

Foto: Divulgação
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Fundador da organização, o dentista Felipe Rossi leva sorissos a comunidades em situações vulneráveis no Brasil e no mundo

Além dos voluntários, a iniciativa também faz parcerias com as entidades dos locais beneficiados. Elas indicam os principais problemas de saúde enfrentados na região e fazem o intermédio com a comunidade, convidando-os a participarem das ações. Segundo Ana Julia, coordenadora de comunicação do projeto, cada missão dura entre sete e dez dias e conta com cerca de 15 voluntários de diferentes áreas.  “O sorriso impacta na autoestima. É como você se mostra para o mundo. Quando você consegue mudar isso, vê as pessoas sorrindo para o mundo”, destaca Ana.

A comunicadora explica que além das visitas semestrais a locais previamente programados, há também iniciativas mais frequentes, em comunidades paulistas. “Para mim a parte mais prazerosa é ver um sorriso de gratidão”, destaca Paula. “ É poder transformar as pessoas fazendo o que amo. A cada ação e oportunidade que tenho de conviver com tanta gente que se dispõem a fazer o bem, volto muito melhor”, conclui.