GRUPO DE CIDADANIA EMPRESARIAL


Desenvolvimento de programas socio-educativos.

Entre em contato e torne-se um parceiro do Grupo.

Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.

Inscreva-se para receber nossas informações e novidades.

Solidariedade rompe distâncias

Bianca Mascara, especial para o Cidadania

Estudante carioca se empolgou ao conhecer os marajoaras e resolveu ajudar a ilha que sofre com a falta de atenção dos governos

Fotos: Luti Guedes/Divulgação
Foto: Divulgação

Em 2009, Luiz Carlos Guedes, o Luti, estudava no Colégio Santo Agostinho, no tradicional bairro do Leblon, no Rio de Janeiro. Nada o diferenciava dos demais estudantes do Ensino Médio, até que um projeto chamado CSA Sem Fronteiras foi proposto na escola. Parece difícil imaginar, mas esta pauta escolar virou o rumo da vida de Luti e aproximou o jovem carioca de uma realidade escondida no norte do Pará.

Era uma atividade missionária destinada a três alunos da escola para conhecerem as comunidades ribeirinhas da Ilha do Marajó. Tinha tudo para sem uma rica experiência, que ajudaria os estudantes na formação de importantes conceitos. No entanto, para Luti, não bastava somente ser ajudado, a troca de experiência deveria ser recíproca e tudo que os moradores de Marajó queriam era um auxílio.

O carioca viu uma comunidade sem posto de saúde, sem saneamento básico, sem energia elétrica e com o chamado sistema de educação modular, em que o professor passa 52 dias no local para ensinar o conteúdo anual de uma matéria. Todavia, em meio ao choque de culturas entre Luti, vindo de uma cidade essencialmente urbana e cuja praia era seu maior símbolo de natureza, e os ribeirinhos, chamou a atenção do estudante: a felicidade dos habitantes locais. Um sorriso tão natural quanto o ambiente em que estão imersos.

Foto: Divulgação

Dez dias e ele foi embora. Era hora de retomar sua vida no conforto do Rio de Janeiro. Porém, a Ilha de Marajó voltou com ele e, em sua memória, ela pedia atenção. Luti não podia abandoná-la. “Ter oportunidades que eles não têm me pareceu tão injusto que eu sabia que não podia abandoná-los; eu não podia voltar pro Rio de Janeiro e esquecer que eles existem e, muito menos, em que condições eles existem”, afirmou o jovem.

Luti conversou com os familiares e conseguiu viabilizar o sonho em 2010, um ano depois de ter conhecido os marajoaras. “Suportar a ansiedade por tantas horas de viagem não foi nada fácil, mas pelo menos tinha as lembranças me fazendo companhia e distraindo. Eu não estava sozinho. E eles também não estavam mais”, contou. O carioca recebeu inclusive o convite para ser padrinho de Luan, mais um que nascia na ilha. Aceitou e voltou para participar da cerimônia. A Ilha de Marajó já havia entrado para a vida do jovem carioca.

Empreendedorismo - Luti não deu importância à pouca idade e iniciou ao seu projeto social. Traçou os principais problemas e pontos de atuação. O resultado foi um trabalho voltado para a educação, combatendo o analfabetismo; para a saúde, com foco na diminuição da mortalidade infantil; e adequação dos hábitos alimentares, além de investir em melhores condições de moradia e incentivar o desenvolvimento autossustentável das famílias.

Foto: Divulgação
Carioca, Luti é empreendedor social na Ilha de Marajó

A ideia foi o desenvolvimento de projetos que cooperariam com a população em paralelo com outros investimentos no local. O principal deles foi a Casa de Papel, bibliotecas que incentivam o hábito da leitura entre os moradores. Duas foram inauguradas e os resultados já são colhidos. Além da leitura, um dos habitantes locais é escolhido para cuidar da Casa de Papel, o que também transmite responsabilidade. Os livros foram doados no Rio de Janeiro e as bibliotecas, feitas de madeira, custaram 600 reais, frutos de doações. Um projeto barato e de grande impacto na comunidade da Ilha de Marajó.

Outro projeto que colaborou para o crescimento do local foi o Só riso Marajoara. O objetivo foi a conscientização sobre a importância da escovação bucal. A atividade contou com a doação de escovas e pastas de dente, em uma parceria com a empresa Colgate.

Luti mostrou que a distância não foi capaz de impedir sua vontade de ajudar a comunidade de Ilha de Marajó e proporcionou uma maneira de outras pessoas fazerem o mesmo, porém de forma muita mais fácil, com o apadrinhamento de crianças. O jovem carioca é padrinho de Luan, todavia, outras tantas crianças esperam por uma ajuda vinda de outros lugares do Brasil. Para colaborar, basta R$1,00 por dia e o compromisso de presentear a criança no Natal. O padrinho recebe todas as informações e novidades da criança, bem como sua evolução nos estudos, além de vídeos de agradecimento produzidos pela organização.

Região esquecida - Os projetos são conduzidos em paralelo com uma série de investimentos em áreas estratégicas para o desenvolvimento local. São ações que deveriam chegar dos governos, porém a região parece esquecida na hora das destinações das verbas estaduais e federais.

Em meio a tantas riquezas naturais, o principal problema da Ilha de Marajó é comum a todo território nacional, a má distribuição de renda. A região é produtora de açaí, cupuaçu, guaraná, andiroba e cacau, mas tem na pesca sua fonte de renda essencial, sobretudo do peixe Pirarucu. No entanto, a atividade pecuária, com a criação de búfalos, também está presente e é responsável pela concentração de renda, além de provocar enormes danos ambientais.

Por isso, as pretensões do Lute Sem Fronteiras são ousadas. Para melhorar a saúde, é preciso combater problemas como a mortalidade e a desnutrição infantil.  Portanto, a organização tem como objetivo reformar a logística dos hospitais e postos de saúde, de modo a reduzir o tempo de espera e facilitar o acesso da população.

A moradia também é uma questão em destaque nas ações da ONG. Um dos próximos projetos que deve deixar o papel será justamente na área de arquitetura para implantar um sistema de saneamento básico nas casas.

A reciclagem do lixo local, uma horta comunitária e uma casa de galinhas seguem nos planos do  Lute Sem Fronteiras.


MAIS INFORMAÇÕES
http://lutiguedes.wix.com/lutesemfronteiras