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Quando a menina dança

Fernanda Silva, especial para o Cidadania

A arte de movimentar o corpo ajuda pessoas com deficiência a mostrarem que suas características não lhes impõem limites

Foto Digulação
Ainda recente, a iniciativa convida todos, pessoas com deficiência ou sem, a dançarem na Capital paulista

Assim que se deu conta de que a filha não tinha as mesmas habilidades que as demais crianças, Norma Mangueira Carvalho não hesitou. Juntou as roupas, colocou na mala e partiu para Salvador. Na capital baiana, descobriu que a distância percorrida não era suficiente para encontrar o tratamento que Tarsila Mangueira Carvalho Sousa precisava. E aí, a bússola virou para o Sul. O destino foi a maior cidade do país para, em 1996, já em São Paulo, entender o que é o Transtorno do Espectro Autista, uma síndrome comportamental.

“As possibilidades eram poucas diante do que tínhamos naquele momento”, lembra Norma. Se o início da jornada em solos paulistas tinha um tratamento convencional, que oscilava entre idas ao médico, associações e escolas especiais, hoje, 22 anos mais tarde, a alternativa se tornou a arte. É com o pé de um lado para o outro e com um gingado malemolente que Tarsila busca energia para encontrar consigo mesma no Projeto Andanças.

“Ela faz dança semanalmente e tem uma alegria muito grande de participar desse projeto. A Tarsila evolui muito, aprende os passos com facilidade e isso ajuda muito na sua concentração”, destaca a mãe. “Acho que a dança vai ser um ponto fundamental para o desenvolvimento dela”, conclui.

Foto Digulação
Ainda recente, a iniciativa convida todos, pessoas com deficiência ou sem, a dançarem. Com o apoio da mãe, Tarsila participa de atividades artísticas como terapia alternativa.

Para Norma, o projeto não só faz bem para sua filha individualmente como socialmente, sendo um espaço de visibilidade para as pessoas com deficiência. “Lá, eles podem mostrar suas capacidades e potenciais, diante dos seus limites, é claro. Eles se sentem valorizados por estarem inclusos na sociedade, no meio de pessoas com e sem deficiência”, ressalta.

O Projeto Andanças, que promove a dança para pessoas com deficiências, é recente. Seu objetivo é contribuir para a criação de uma sociedade que consiga ser acessível e enxergue a diversidade do ser humano como algo natural, bem como veja as deficiências como características. “Ser deficiente é como se ser alto, baixo, ter careca ou cabelo. Dessa forma, queremos tentar minimizar o estigma da pessoa com deficiência”, destaca Juliana Miyuki Tatsuguchi, idealizadora da iniciativa. “A sociedade, quando vê uma pessoa com deficiência, enxerga impossibilidades e restrições”.

A dança surgiu como proposta de recurso terapêutico. Hoje, o projeto quer facilitar o protagonismo das pessoas com deficiência. “Nosso público alvo é a sociedade, uma vez que a gente fala em diversidade e nossos objetivos dizem respeito a todo mundo, tendo deficiência ou não”, ressalta Juliana.

Fotos Divulgação
Foto Digulação
Juliana acredita na dança como ferramenta de inclusão social

Para ver e entender

A ideia é educar a sociedade e trazer informação. “Quando a gente não tem contato com a coisa, não paramos para pensar. Então, colocando esse tema em pauta, provocando as pessoas para pensar sobre o assunto, enxergando pessoas com deficiência como protagonistas das suas próprias vidas, pode-se conhecer as habilidades delas e refletir a cerca daquele assunto”, explica.

Para fazer com que mais pessoas tenham contato com a iniciativa, o Andanças traz dança à Avenida Paulista, na capital de São Paulo. “É um espaço de grande circulação de pessoas. Estamos possibilitando esse encontro. As pessoas passam, olham e admiram, enxergam potenciais e possibilidades”, destaca Juliana.

Depois dos primeiros passos, o projeto quer crescer. Agora, o objetivo é fazer acontecer o I Encontro de Dança Inclusiva. “A gente tem a ideia de juntar pessoas que se interessam pelo tema. Pessoas com ou sem deficiência, curiosos, dançarinos, profissionais de educação física, terapeutas ocupacionais, pessoas da área da saúde, nosso público está bem misturado e diverso”.

Apesar de o projeto ser novo, a dança está presente na vida de Rosimário Gomes do Ó, participante da iniciativa, desde 2003. Deficiente visual, ele tem como proposta pessoal mostrar ao público que é possível fazer arte mesmo sem enxergar, e assim, ganhar o respeito das pessoas e aproximar esses dois mundos tão distantes. “Sabemos que é uma semente plantada e o resultado aparece lentamente. Ajudamos inclusão com a nossa ideia de mostrar o deficiente fazendo arte. Assim, a sociedade entende o potencial de cada um e quebra a ideia de invalidez”, finaliza.