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Por trás da Copa do Mundo e das Olimpíadas

Bianca Mascara, especial para o Cidadania

Fundação Abrinq lança cartilha para alertar sobre aumento do número de casos de trabalho infantil durante a realização dos eventos esportivos que o Brasil sediará

Fotos: Divulgação
Foto: Divulgação
Alerta sobre o trabalho infantil em grandes eventos ganha as ruas em ação da Fundação Abrinq

O crescimento econômico, dos últimos anos, colocou o Brasil como um dos países em destacado desenvolvimento, assim como as nações asiáticas Rússia, Índia e China, o chamado BRIC. A evolução da economia abriu as portas do país para grandes eventos, que pareciam inimagináveis para a época em que o Brasil passou por difícil situação.

A realidade econômica mudou, porém ainda há questões sociais que nos impedem de alavancar como nação humanizada. Os índices econômicos que atraíram os megaeventos para o país não acompanham as estatísticas sociais, que preocupam e levam o bordão “imagina na Copa” a ser insistentemente repetido entre os brasileiros.

O grande investimento econômico para receber a Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016 traz consigo novas preocupações, uma vez que os megaeventos podem agravar ainda mais as questões sociais, se não forem tomados alguns cuidados.

Foi pensando nisso, que a Fundação Abrinq resolveu criar uma cartilha para evitar que a exploração do trabalho infantil se acentue durante a realização desses megaeventos. A esperança é que a Copa e as Olimpíadas tragam consigo aspectos positivos para a população brasileira, como o incentivo ao esporte. Afinal, as atividades esportivas combatem não apenas o trabalho infantil, mas funcionam como válvula de escape de uma série de problemas sociais que afligem os brasileiros.

A cartilha foi lançada em data especial. O dia 12 de junho, embora seja mais lembrado como o Dia dos Namorados, é dedicado ao Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil. Para dar ainda maior importância à causa, a data coincidiu com a contagem regressiva para a Copa do Mundo, faltando exatamente um ano para o início do evento tão esperado, e também véspera do início da Copa das Confederações, torneio considerado um teste para o mundial.

O objetivo é orientar os cidadãos sobre o problema, para que a população denuncie essa prática ilícita durante a realização dos eventos esportivos no Brasil. “Queremos mostrar como as empresas, as organizações, os municípios e a pessoas podem ajudar no combate ao trabalho infantil e proteger os direito da criança e do adolescente”, explicou Denise Cesário, gerente executiva de programas e projetos da Fundação Abrinq.

O manual alerta para alguns tipos de trabalho infantil que podem crescer com os megaeventos. São diversas áreas e modalidades de exploração. Na construção civil, crianças podem ser utilizadas para transporte de material ou em iniciativas familiares, que se aproveitam da concentração de operários nas construções para vender refeições. As rodoviárias e aeroportos devem receber quantidade de turistas muito superior à média anual durante os eventos esportivos. Por isso, também se deve ficar atento à venda ambulante e aos engraxates, atividades em que o uso de crianças é frequente. A mesma atenção deve ser destinada aos faróis na cidade, com os flanelinhas, vendedores e distribuidores de folhetos publicitários.

Os eventos também serão atrativos para aqueles que trabalham com a reciclagem de embalagens. As latinhas são os principais alvos e as crianças representam parte daqueles que recolhem o material. A indústria de confecção também não escapa da lista, principalmente na produção de materiais e calçados esportivos.

Foto: Divulgação

No entanto, dois alvos são os mais preocupantes, a exploração sexual e o tráfico de drogas. “Uma das nossas maiores preocupações é o trabalho infantil urbano, como os flanelinhas, os engraxates e os vendedores ambulantes nos faróis, além, é claro, da exploração sexual e do narcotráfico”, ressaltou Cesário.

O lançamento da cartilha foi combinado com outras ações de conscientização. “Vamos fazer um flash mob (mobilização rápida) simultâneo em oito cidades brasileiras. Iremos usar um esquete teatral demonstrando as formas de trabalho infantil, como ocorrem e como podem ser evitados”, explicou a gerente. A distribuição de panfletos e brindes também foi uma forma de conscientização. Em São Paulo, ela ocorreu no vão do Museu de Arte de São Paulo (Masp).

“Esperamos que a mensagem da cartilha seja disseminada para todos os setores da sociedade e que a Copa e as Olimpíadas sirvam de elemento estimulador para que as crianças se tornem futuros atletas”, encerrou Denise Cesário.


MAIS INFORMAÇÕES
www.fundabrinq.org.br/index.php
www.oit.org.br/cartaovermelho/default.html