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Pensamento positivo

Fernanda Silva, especial para o Cidadania

Com a mente otimista, Chico desafia as leis médicas e ajuda os frequentadores da ABEM

Fotos Acervo Pessoal
Foto Acervo Pessoal
Apesar da esclerose múltipla, Chico não parou de se exercitar e hoje tem o esporte como tratamento

Em 2002, podia-se dizer que o universo não estava conspirando a favor de Francisco Roberto Loria Filho. Seu pai não estava com a melhor saúde, o avô havia falecido e o emprego também tinha seus conflitos e pressões. Apesar de tudo o que acontecia fora do campo, foi dentro das quatro linhas que Chico sentiu que sua vida mudaria — ainda, entretanto, não sabia o quanto. Quando a perna não respondeu ao chute, foi ao médico. Não demorou muito para vir o diagnóstico de esclerose múltipla. Poderia, então, começar uma fase difícil na vida do então gerente comercial. Isso porque, com a doença, não apenas empregos fecharam as portas como até relacionamentos se transformaram. Diferente de muitos, entretanto, ele optou por resignificar o momento.

Foi com pensamento positivo, força de vontade e usando o esporte como ferramenta que Chico parou de usar o medicamento recomendado para tratar a doença. “Lembrando que cada pessoa encontra uma forma melhor para fazer seu tratamento”, destaca. O dele, foi por meio de exercício físico. Professor de escalada, contrariou a premeditação médica feita na hora do diagnóstico. Cerca de 15 anos depois, não está em uma cadeira de rodas, segue caminhando e nunca parou de praticar esporte.

Se no começo, não sabia sequer o que era a esclerose múltipla hoje, Chico ajuda pessoas a entenderem a doença. Em um blog no site da Associação Brasileira da EM (Abem), ele compartilha suas vivências e conhecimentos – além de, claro, sua positividade. É por meio da última que conquista outras pessoas e ensina a ver o diagnóstico de forma mais amena.

“Depois que a ficha caiu, eu deixei de procrastinar. Virei um atleta de ponta”, lembra Chico, que hoje associa os sintomas da doença a seu emocional. Assim, o esporte entra como ajuda para o físico e também para a mente. “A cabeça ocupada ajuda a evitar a depressão, que é muito comum em quem é portador da EM”.

A esclerose múltipla é uma doença neurológica, crônica e autoimune. “Isso significa que o sistema imune não reconhece parte do seu corpo e o agride como se fosse um objeto estranho”, como explica a dra. Liliana Russo. Estima-se que, no Brasil, cerca de 35 mil pessoas sejam portadoras dela. Apesar do alto número, grande parte da sociedade a desconhece. Sem cura, ela atinge geralmente jovens, em especial mulheres de 20 a 40.

Foto Divulgação
Foto Digulação
A Abem oferece auxílio a pessoas portadoras da esclerose múltipla

Por uma vida melhor

Em busca de oferecer uma condição de vida mais saudável aos portadores da EM, há 34 anos surgiu a Abem (Associação Brasileira de Esclerose Múltipla). A iniciativa paulista, hoje, promove auxilio psicológico, fonoaudiólogo e conta também com um centro de reabilitação em prol dos cerca de 800 beneficiados. O atendimento mensal e gratuito é mantido por meio de doações. Eles recebem orientações, materiais de apoio e até dicas jurídicas para conquistar os medicamentos de forma gratuita.

Tendo a falta de informação de parte da população em mente, a associação estabeleceu o dia 30 de agosto como o dia nacional da conscientização sobre a EM.

Com essa e outras iniciativas, a organização consegue alcançar os milhões de brasileiros que não conhecem os múltiplos sintomas que a doença causa, como, a princípio, fadiga intensa, fortes formigamentos, fraqueza e dificuldade na locomoção. Apesar das possíveis dificuldades, o escalador Francisco não se deixou cair – muito pelo contrário.

“No esporte, você sempre quer bater seu recorde. Eu fiz isso na minha vida. Não aceitei ficar em uma cadeira de rodas, quis bater meu próprio recorde”, conta. “A escalada me fez subir cada vez mais alto e querer vencer na vida. É isso que as pessoas têm que levar para elas: não sempre bater seus próprios recordes”, finaliza o escalador.