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Para se reconhecer

Fernanda Silva, especial para o Cidadania

Inspirado na própria história, Edu Lyra começou um projeto que incentiva jovens paulistas a buscarem formação com cultura e educação

Fotos: Divulgação
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Atividades e palestras são oferecidas na entidade. O objetivo é empoderar os beneficiados e mostrar que eles podem transformar suas próprias realidades.

A procura por emprego não gerava resultados, o relacionamento com a família estava longe da melhor fase e ela mal tinha interesse de ir para a escola. Sem que os astros se alinhassem e o universo conspirasse para que as coisas dessem certo, Gerlana Neves, 18 anos, teve uma oportunidade que lhe pareceu a luz no fim do túnel – e, de fato, para ela, foi. Dentro do projeto Gerando Falcões, pôde recomeçar e se reconhecer em meio às possibilidades, antes desconhecidas, que foi exposta.

No extremo da Zona Leste, conheceu a iniciativa criada por Edu Lira. Para colocar o projeto de pé, ele se inspirou na própria história, que hoje repassa a tantos outros. Ele viveu uma infância em que lhe faltavam escolhas. Seu pai foi preso e, desde então, queria ver o nome da família estampado nos jornais de outro modo. “O Edu acabou sendo criado pela mãe, em uma favela em Guarulhos. Ela dizia que não importa de onde você vem, importa para onde você vai. Ele é só um exemplo de pessoas que “saíram do nada” e são quem são”, conta Vanessa Silva, coordenadora de qualificação profissional do Gerando Falcões.

Hoje aos 30, ele não só faz palestras e se aproxima dos jovens pela linguagem, como também dá a eles oportunidades, sem esquecer sua raíz e acreditando no potencial do adolescente. “Eu conheço muita gente que pensa que não vai conseguir mais nada. Muitos pensam que só porque você é pobre, você não tem oportunidade, tem que ir para o caminho errado”, recorda Gerlana. “E, de repente, surgem muitas oportunidades por causa do projeto”.

Entre as atividades oferecidas no Gerando Falcões, a maior parte tem enfoque na qualificação profissional. Hoje, a iniciativa encara um momento de expansão e quer multiplicar por oito as 1200 famílias beneficiadas. Para isso, além de começar projetos do zero, a inciativa também se aproxima e apoia ONGs que já existem.

“Achei que eu nunca ia conseguir nada. Nunca ia conseguir um emprego. Não queria mais estudar. Por meio de me envolver no Gerando, voltei a querer estudar, a me interessar, a querer fazer cursos, focar. Isso mudou minha vida”, destaca Gerlana, que, hoje, trabalha na iniciativa.

Foto: Divulgação
Cursos profissionalizantes auxiliam a população e dão a ela novas experiências e até uma fonte para complementar a renda familiar

Mulheres na programação

Foi no Gerando Falcões que Gerlana descobriu o que queria para sua vida. Lá, foi aluna de um projeto de Linguagem de Programação que tem, entre outros objetivos, aproximar mulheres de uma área comumente ofertada para homens. “As meninas ficam distantes da programação e muitas acabam nem sabendo o que é. Eu nunca pensei, nem sabia direito o que era. Agora, estou pensando em começar um outro curso para me aprofundar mais. Fiquei muito mais interessada, até hoje ainda estudo, procuro. Com certeza é um bom empurrão”, destaca Gerlana.

Para ela, a área ainda tem muito mais homem fazendo programação do que mulheres. “Nas inscrições, a maioria são meninos. A gente estabelece que a turma deve ter um número igual dos dois gêneros para incentivar a participação feminina, o que é um grande desafio e responsabilidade”, explica Vanessa Silva. “Isso vem de um problema estrutural. As meninas são incentivadas a profissões que envolvem o cuidar e o olhar para o outro. Mas elas também podem exercer o raciocínio lógico e trabalhar com tecnologia. É preciso vencer esse machismo da sociedade”.

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Além das atividades profissionalizantes, o Gerando Falcões também acredita no esporte como incentivador

Caminho para o mercado

O objetivo do projeto é que todos jovens estejam inseridos no mercado de trabalho. Além de programação, o Gerando Falcões oferece curso de vendas, empreendedorismo, logística e a parte de próprio negócio, como maquiagem, somelier e confeitaria.

“Todo mundo foca em curso de informática básica, todo mundo só quer aprender o pacote office”, destaca Gerlana. “Com certeza isso é um diferencial no meu currículo. Ela fez com que eu me descobrisse, e descobrisse o que eu quero”.

“A qualificação profissional dá uma luz para a carreira de muitos jovens”, concorda Vanessa. “Ela permite ampliar os horizontes e faz com que eles conheçam outras oportunidades, para além das que eles são expostos normalmente, ampliando também suas perspectivas”.


MAIS INFORMAÇÕES: http://gerandofalcoes.com/