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Oportunidade sobre rodas

Fernanda Silva, especial para o Cidadania

Usando mecânica e bicicletas, projeto paulista incentiva mudança na vida de participantes

Foto: Acervo Pessoal
Foto: Acervo Pessoal
Adriana viu sua vida ser transformada quando conheceu o Viver de Bike

Em 2015, Adriana Andrade viu sua vida mudar — para pior. Os problemas com o trabalho, com a família, com o uso de substâncias ilícitas e até com o cuidado de seus três cachorros se acumularam dentro de sua cabeça e geraram um turbilhão de emoções. Somado a isso, os questionamentos sociais e filosóficos fizeram com que a jovem se isolasse da sociedade e cogitasse até viver na rua. Foi quando sua família decidiu que a deixaria internada em uma clínica para pessoas com transtornos decorrentes do uso ou abuso de substâncias psicoativas (SPA). Um ano depois, saindo de lá, encontrou na bicicleta uma válvula de escape, uma distração e ainda uma profissão, que fielmente, a ajudou em sua reinserção social.

“Na época, fiquei muito mal emocionalmente. Cheguei até a largar meu trabalho. Queria fugir da realidade, não me reconhecia, mas estava ciente de tudo isso”, lembra Adriana. Depois da internação e dos medicamentos, passou por um período de readaptação. Foi nesse momento que o esporte e seus desdobramentos surgiram em sua vida como ajuda e apoio. Adriana se interessou pela modalidade e, na primeira oportunidade, comprou uma bicicleta. Curiosa, começou a explorar o novo equipamento. Buscava vídeos e tutoriais na internet para aprender a mexer em sua mecânica. “Estudava por conta própria. Queria ser autossuficiente e independente”, afirma. Foi então que ela encontrou o projeto AroMeiaZero, que fez suas ideias deslancharem.

Foto: Divulgação
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A iniciativa dá autonomia aos participantes

Chance na hora certa - Fundado em 2011 e acreditando que a bicicleta pode ser um instrumento de transformação social, cultural e pessoal, o AroMeiaZero defende que é possível “Viver de Bike”. Com projeto homônimo a ideologia, o grupo oferece gratuitamente aulas de mecânica e empreendedorismo. “Muitos alunos usam seus conhecimentos quando fazem longas viagens ou mesmo no dia a dia. Outros, cerca de 1/3, aplicam isso profissionalmente”, destaca Murilo Casagrande.

O sentimento de que poderia chegar onde quisesse foi despertado em Adriana Andrade. Interessada e dedicada, aprofundou seu conhecimento sobre o funcionamento da mecânica das bicicletas. Hoje, além de fazer um curso de especialização na área, é freelancer em eventos organizados pela iniciativa.

Foto: Divulgação
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Palestras e oficinas são oferecidas pelo projeto

O curso é oferecido gratuitamente a jovens de 15 anos ou mais. Além da experiência, os beneficiados também ganham a bicicleta em que aprendem a consertar. Ao todo, são montadas seis turmas anuais, com duração de dois meses. “Mas os conhecimentos e aprendizados são levados para sempre”, ressalta Adriana, que destaca a iniciativa como fio condutor da transformação de sua vida — dessa vez, para melhor.

Para Simone Iris da Silva, ex-aluna do projeto, o curso teve um proposito diferente. Além de usar a bicicleta para se locomover pela cidade, a ciclista também faz longos trajetos usando-a como transporte. “Eu precisava aprender a me socorrer, não sabia me virar se acontecesse algo”, lembra. “Hoje, percebo quando há algum problema no meu equipamento, por exemplo, ou quando preciso ajustar o pedal. Com isso, eu me sinto mais segura”, ressalta.

Foto: Divulgação
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Aprender a desmontar e montar uma bicicleta é parte do processo de aprendizagem

Entusiasta, Murilo defende que a bicicleta pode impactar a vida de uma pessoa de muitas maneiras. “Ajuda na saúde, na economia, é sustentável e ainda torna a cidade em um lugar mais humano”. Segundo o empreendedor, andar de bike ainda afeta o humor, a autoestima e cria uma rede de conexões forte.


MAIS INFORMAÇÕES:
https://www.aromeiazero.org.br/