GRUPO DE CIDADANIA EMPRESARIAL


Desenvolvimento de programas socio-educativos.

Entre em contato e torne-se um parceiro do Grupo.

Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.

Inscreva-se para receber nossas informações e novidades.

Oportunidade sem fronteira

Fernanda Silva, especial para o Cidadania

Projeto dos ex-jogadores Rai e Leo dá oportunidade a jovens paulistas e cariocas e os deixam sonhar sem limites

Fotos: Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Irmão do fundador, Sóstenes quer ver cada dia mais a transformação das regiões impactadas

As lágrimas escorrendo no rosto de Barbara Steffany Oliveira dos Santos, 18 anos, são de gratidão. Há dez anos ela tem o terreno localizado no pé do Morro do Piolho, na zona norte da Capital paulista, como segundo lar. Lá, Babi encontrou um campo de possibilidades por meio do Projeto Gol de Letra, estabelecido na região desde 1998. A iniciativa foi fundada por quem fez bonito com a bola nos pés e, por meio do futebol e outras ferramentas, quis transformar vidas. Ao lado de seu parceiro de São Paulo Leonardo, Raí formatou um projeto social e, anos mais tarde, o colocou em prática.

“Quando ele voltou da França, definiu que seria um projeto com a finalidade educativa, mas que utilizasse outras linguagens, em um projeto de contra turno”, explica Sosténes Brasileiro Oliveira, irmão de Raí e diretor geral da iniciativa. Não demorou muito para que a iniciativa rompesse as fronteiras estaduais e fosse para o Rio de Janeiro. “Começamos em Niterói (RJ), de onde o Leo vem, e depois fomos para a Capital. O bairro do Caju tinha poucos projetos sociais, um baixo índice de desenvolvimento humano. Uma grande necessidade de intervenção”, lembra.

Hoje, o grupo decidiu que não vai crescer em número de unidades. “Vamos utilizar nossa metodologia para formar outras associações, para que elas façam projetos parecidos com o nosso, desde que haja financiamento”, explica Sóstenes. “Nosso grande objetivo é ser decisivo para o fortalecimento das comunidades que já apoiamos. Vai ser uma sensação de missão cumprida”, destaca.

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Para Edgard Arantes o esporte ajuda na compreensão de respeito e igualdade, além da ideia e cooperação

Apesar de ter sido criada por boleiros e de levar um nome que remete ao futebol, não é só da modalidade que o projeto vive. “Utilizamos bastante o esporte, mas não somente. Temos também atividade de capacitação profissional e cultural, para dar uma formação educacional”, ressalta o presidente. Com a ideia de aprender, conviver e multiplicar, a iniciativa já impactou mais de 15 mil jovens.

Barbara é uma delas. Começou em uma escolha de tênis da iniciativa e, hoje não só faz judô, vôlei, futsal como é monitora no projeto – e recebeu formação para isso. “Eu tinha bastante dificuldade em fazer amizade e o esporte me ajudou muito com isso, em me comunicar mais. Eu era muito tímida. A formação de monitora me ajudou muito, pelo contato com os alunos”.

Ela sabe: hoje, a responsabilidade é maior. Saiu do papel de quem se espelhava em alguém para se tornar exemplo. “Com a responsabilidade maior, você precisa aprender a lidar com as pessoas. Eu tenho que cuidar de mim e deles também. O meu conhecimento eu tenho que passar para eles também”.

“Trabalhamos com esporte desde 2004. É uma das ferramentas dentro da estratégia de educação integral para realmente contribuir com uma mudança na trajetória de vida das crianças, dos jovens, dos adolescentes, ensinando valores, desenvolvendo as noções de desenvolvimento e crescimento humano, conhecimento do corpo, respeito, convivência pacifica e democrática”, explica Edgard Arantes, coordenador de projetos da Fundação Gol de Letra SP.

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Barbara, além de aluna em diversas atividades, é monitora na iniciativa e foi convidada a ir à Rússia

Igualdade para todos

Entre os valores incentivados pela iniciativa, a igualdade de gênero se destaca. São discussões e atividades propostas, além de colocadas na prática, promovendo aulas mistas. “Hoje, conseguimos verificar que isso vem dando um resultado muito importante. Temos um número maior de meninas jogando futebol e futsal, por exemplo. Aqui, na nossa turma de futsal, aproximadamente 60% são meninas”, comemora Edgar. “O esporte ajuda a entender sobre respeito à diversidade, ao diferente, sobre cooperação, solidariedade, além de ajudar a estabelecer, através dos jogos, condições para que eles possam projetar novos sonhos, novas oportunidades”.

Barbara, que defende que o lugar de mulher é onde ela quiser, conta que quando novas crianças chegam ao projeto elas passam a entender e respeitar o gênero oposto. “Isso tem que acontecer independente se a pessoa é negra, gay, bissexual, lésbica. Os novatos aprendem a respeitar o espaço um do outro”, conta. Apesar disso, ela ainda destaca que, fora da iniciativa, falta muito espaço e reconhecimento para o futebol. “Ele não é tão valorizado, totalmente diferente do masculino. Na comunidade temos muitas meninas que jogam, então, aqui, somos valorizadas”.

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press
A iniciativa usa o esporte para transmitir valores aos beneficiados

Passaporte carimbado

Em parceria com o Festival Fifa Foundation, o Gol de Letra enviou –um número igual- de meninos e meninas para um intercambio na Rússia, onde praticarão futebol misto na terra da Copa. “Isso contribui para o nosso trabalho também. Há um reflexo maior na sociedade. Muitas coisas ainda continuam acontecendo, mas hoje há um descontentamento maior com a questão de desigualdade”, destaca Edgard Arantes, coordenador de projetos.

Barbara recebeu o convite para embarcar rumo ao país do leste europeu em janeiro deste ano e nem imaginava que isso podia acontecer. “Foi muito do meu esforço também, meus objetivos na Fundação me levam a isso. Antes queria perder minha timidez, ser mais comunicativa e poder passar tudo o que eu aprendo para os alunos e para fora da comunidade”, destaca a monitora, que está estudando russo para se comunicar no país. “Pelo menos o básico”, brinca. “Espero aprender muita coisa e trazer todo meu conhecimento adquirido lá para o Brasil”.


MAIS INFORMAÇÕES: https://goldeletra.org.br/