GRUPO DE CIDADANIA EMPRESARIAL


Desenvolvimento de programas socio-educativos.

Entre em contato e torne-se um parceiro do Grupo.

Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.

Inscreva-se para receber nossas informações e novidades.

Não se cale

Lívia Martins (*)

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Lívia: “Racismo é a causa de um quarto dos boletins de ocorrência no estado de São Paulo”

Aparentemente, o ódio da sociedade está exacerbado. Porém, vos digo: ele sempre esteve aqui. Pungente. Quem não faz parte do “padrão” anda com um alvo nas costas, no peito e na cabeça. Diferente dos tempos dos meus avós e pais, hoje existe uma Delegacia de Polícia de Repressão aos Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), mas pouco é divulgado e muitos crimes de intolerância ainda são tratados como crime comum.

Infelizmente, por ser muito tarde, e felizmente porque finalmente aconteceu, as delegacias especializadas estão sendo criadas em alguns estados brasileiros e os números mostram a importância desse tipo de serviço para a sociedade. Em matéria recente, o portal Uol mostrou que o racismo é a causa de um em cada quatro boletins de ocorrência no estado de São Paulo. Ao todo, são 1.210 notificações formais entre janeiro e setembro deste ano.

Os dados até parecem pouco, porém a evasão ocorre devido grande parte acreditar que ir até a delegacia não irá resolver nada. A temporada de 2017 de “Malhação”, da Rede Globo, trouxe de forma quase real e pouca teatralizada a realidade de quem sofre o crime, mas não acredita na justiça brasileira. Na trama, um personagem negro e com renda baixa sofre ataques racistas de dois seguranças de um prédio em um bairro nobre de São Paulo. Em diálogo com a namorada na novela, o menino afirma que o que aconteceu “não será nem a primeira e nem a última vez” e para confrontar os agressores era preciso “advogado e muita grana”. O pensamento não é coisa de roteiro. Ele é comum em quem sofre esse tipo de crime, vê o inquérito se arrastar e nada ser resolvido. Criminosos se escondendo atrás de frases como “não lembro o que eu falei” ou “foi tudo um engano”, além de recorrerem em liberdade.

É a quantidade de boletins de ocorrência e a divulgação dos dados por meio da Lei de Acesso a Informação que ajudam movimentos negros, secretarias estaduais e as pastas especializadas do governo brasileiro a promoverem políticas públicas em combate a esse tipo de crime. Quem denuncia mostra que a impunidade não pode continuar como consequência corriqueira do racismo. O ato de denunciar é uma forma de respeitar a sua história, as suas conquistas e a sua saúde mental, pois o racismo mata.

Utilidade Pública:

Delegacia de Polícia de Repressão aos Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) de São Paulo

Rua Brigadeiro Tobias, 527 – 3º andar – Luz

Horário de funcionamento: De segunda a sexta-feira, das 9h às 18 horas.


* Lívia Martins é jornalista formada em 2016 na Faculdade Cásper Líbero. E fundadora do primeiro coletivo negro na história da instituição. Atualmente, colabora no site Vix.