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Música para quem quer

Fernanda Silva, especial para o Cidadania

Jovens surdos aprendem a tocar instrumentos e fazem parte de uma banda paulista

Fotos: Divulgação
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A banda é inclusiva e conta com músicos com e sem deficiência

Pelo aplicativo de mensagens, as palavras são poucas. Pessoalmente, elas nem existem. Devido a rubéola adquirida por sua mãe, Maria Meneses Farias, durante a gestação, aos 16 anos, João Vitor nunca ouviu um som sequer. Apesar disso, é apaixonado pela música e não hesita em concordar que ela mudou sua vida. Ele não a escuta, mas ela a toca e faz ele tocá-la também. O primeiro contato foi por meio das vibrações causadas pelo som. Desde que descobriu que poderia reproduzir isso, não parou mais.

Desde 2014, João Victor Meneses se uniu a outros jovens com experiências de vida parecidas, muitos deles, assim como ele, crianças e adolescentes com deficiência. “Não imaginava fazer parte de uma banda, mas quis experimentar para ver se conseguia”, destaca João. Tempo depois, ele conseguiu.

Nas aulas de música, adquiriu, além de informação, técnica instrumental. “Nós preparamos atividades em que o aluno surdo, por exemplo, tem contato com instrumentos bem graves para que possa ter a percepção da vibração sonora”, explica Fábio Bonvenuto, professor a Banda Música do Silêncio. Com o tempo e evolução do grupo, a intensidade e timbres vão variando. ”Isso para que eles possam perceber que a vibrações mudam de instrumento para instrumento”, continua o professor.

Foto: Divulgação
Além das aulas, o grupo também faz apresentações Brasil e mundo afora

No projeto, que teve início em 2002, não apenas jovens com deficiência participam da banda. “A grande sacada é essa”, explica Fábio. Ele defende que, se o conjunto for exclusivo para esse público, seria uma banda “especial”, mas não acessível e inclusiva. “Produzimos a partitura em braile, adaptamos os instrumentos e o repertório para que todos possam participar”, ressalta.

Seja pela imersão em novas possibilidades ou pelo auto desafio, a banda Música do Silêncio conquistou João. Para Eric Farias Alves, o irmão evoluiu muito desde que começou a tocar. “A banda trouxe mais felicidade para a vida dele. Ele gosta muito”, destaca. João participa dos ensaios com os demais alunos. “Mas a gente respeita a individualidade e necessidade de cada criança”, destaca o professor.

Fabio afirma que não só a aula, mas também os instrumentos, foram adaptados. “Alguns surdos, fizeram alterações para que o som ficasse mais grave e o volume maior”, explica. “Às vezes, ligamos o instrumento numa caixa de som e a colocamos em cima de uma plataforma, para que o surdo possa sentir melhor a vibração da música. Eles, por exemplo, precisam reconhecer que estão batendo em um instrumento e que esse instrumento está produzindo um volume — alto ou baixo”, lembra.

Para o musicista, apesar dos obstáculos impostos, os jovens com deficiência enfrentam dificuldades musicais comuns também entre pessoas sem impedimentos sensoriais. “O ritmo é um dos elementos da música que não é só complicado para quem é surdo”, ressalta Fábio. “No nosso caso, o ritmo, é trabalhado a partir de movimentos corporais”.

O grupo também utiliza luzes para sinalizar a velocidade da canção tocada. A iniciativa favorece uma percepção lúdica do que é o ritmo e do que é pulsação. “Enquanto professor, sempre me vi encontrando soluções para cada desafio que me aparece, mesmo pra crianças que não têm deficiência. A gente vai adaptando as aulas para que todos alunos possam participar e tenham um bom desempenho”.


Mais informações: https://musicadosilencio.com/