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Multiplicando conhecimento

Fernanda Silva, especial para o Cidadania

Jovens que participaram de iniciativa audiovisual têm oportunidade de repassar os aprendizados

Fotos: Divulgação
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Jovens também são responsáveis pelos roteiros dos mini-metragens

Oportunidade é uma via de mão dupla. Pelo menos, é isso que acredita o projeto Querô na Escola, que por meio de oficinas audiovisuais, deixam o mundo dos filmes, das séries e das novelas um pouco mais próximos dos alunos da rede pública do litoral sul de São Paulo. Nas escolas participantes, os adolescentes têm a chance de estarem nos bastidores e nas frentes das lentes, por meio de um curso lecionado pelos jovens formados pelo Instituto Querô. O objetivo é inserir os ex-alunos da iniciativa no mercado de trabalho, tornando-os multiplicadores do conhecimento adquirido, e dar oportunidade a novos potenciais profissionais da área.

No Querô na Escola, os alunos do oitavo ano aprendem as etapas básicas para fazer um filme — desde roteiro até edição. A faixa etária é uma estratégia do projeto. “Isso porque os mais jovens não têm a maturidade necessária para entender os recursos do audiovisual e os mais velhos já estão focados em outras atividades, como o vestibular”, explica Claudio Maneja Jr, coordenador de projetos.

Ao todo, as participações nas escolas são divididas em três etapas. Na primeira delas, cerca de 100 jovens são beneficiados. Muitos têm o contato com vídeos (do outro lado das câmeras) pela primeira vez. Na segunda etapa, apenas 25 vagas são disponibilizadas. Para selecionar quais adolescentes avançam à sensibilização, eles declaram interesse e passam por um processo seletivo. Até, por fim, chegar na elaboração do projeto.

Foto: Divulgação
Na iniciativa, além de atores, os adolescentes são também sonoplastas e câmeras

Os temas dos vídeos são escolhidos pelos próprios adolescentes. Eles abordam assuntos relacionados as suas realidades, como bullying, primeiro beijo, problemas familiares e drogas. Os dois últimos foram abordados nos dois curtas feitos por Camila Amaral, 20 anos. Em 2012, aos 15, entrou no projeto. Na época, durante o ensino médio, não sabia quais seriam seus próximos rumos profissionais. Ela encontrou dentro do Instituto Querô o que queria para sua carreira. Participou, por dois anos, da oficina básica e avançada.

“Eles estavam divulgando a seleção para montar um novo grupo. Como eu não sabia o que seguiria dali para frente, me interessei”, conta. “Era algo diferente e eu estava procurando algo que pudesse me inserir no mercado de trabalho, algo que pudesse exercitar a criatividade”. Para ela, participar do grupo, além de direcioná-la profissionalmente, exercitou seu olhar sobre a cidade e a tornou uma pessoa mais crítica.

Hoje, a aluna formada na escola Bartolomeu de Gusmao Padre, mesmo jovem, é professora. “Eu sonhava em influenciar as pessoas e agora consigo. Vejo os meus alunos como eu era: eles buscam uma carreira que não seja convencional, principalmente nessa geração que está muito ligada ao Youtube”, conta Camila.

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Os participantes têm auxilio dos ex-alunos do Instituto Querô

Recurso na palma das mãos

“Antes, usávamos equipamentos como câmeras em HD e tripé nas ações, mas agora usamos o celular, para que os jovens possam contar suas próprias histórias a seu jeito”, explica Claudio. A troca de equipamento foi feita pensando na continuidade do projeto. “Eles podem, depois que o curso acabar, continuar usando o material, já que é fácil para eles terem acesso a um celular. Queremos que esses jovens levem isso para dentro da sala de aula”, afirma coordenador.

Apesar de achar que os equipamentos profissionais os animam mais, Camila concorda que os celulares trazem vantagens. “Eles percebem que podem fazer essas atividades quando quiserem”, acrescenta a professora. “Deixamos todo os equipamentos nas mãos deles. Nós os direcionamos, mas é importante eles fazerem por si”.

Por não precisar de uma grande estrutura, o projeto é itinerante. Hoje, ele atua principalmente em escolas da rede pública de Cubatão. Em Santos, 1.880 jovens já participaram da iniciativa. Em Cubatão, 2.800. Ao todo, 167 mini-metragens já foram produzidos. Todos estão no canal do Youtube do Querô, que soma 100 mil inscritos e 21 milhões de visualizações.


MAIS INFORMAÇÕES
https://goo.gl/AJxmyL