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Maré boa o ano todo

Fernanda Silva, especial para o Cidadania

Faça frio ou calor, iniciativa oferece aulas de surfe e vê a modalidade como oportunidade para a vida

Fotos: Divulgação
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Projeto incentiva também a cidadania por meio do esporte e conexão com a natureza

“Surfista de verão é surfista turista”, brinca, meio falando sério, Aline Cristina Legro, coordenadora técnica do Oficina de Atletas. Praticante da modalidade há dez anos, ela não só coloca o dito em prática como incentiva os dez jovens beneficiados pela Oficina de Atletas a enfrentar o frio e se jogarem no mar. É no litoral paulista, em Bertioga, que os oito meninos e duas meninas encaram as ondas e aprendem a ver o surfe de uma forma segura e, até, profissional. Para isso, o projeto prepara os beneficiados fisicamente e psicologicamente, com atividades semanais.

São dez jovens de sete a 17 anos que, além das aulas da modalidade, com treino tátil e tático, têm também incentivo ao inglês. Depois de ser campeão em duas categorias do circuito bertioguense e incentivado por seu pai, Lidio Duarte, o pequeno Daniel Duarte, de 11 anos frequenta todas as atividades oferecidas. “Eu procuro não deixar faltar em nenhum treino para que ele aproveite tudo que é oferecido: inglês, aulas de judô, capoeira, ioga, tem a dentista que ajuda muito. São coisas muito importantes”, destaca o pai. Ele ainda destaca que o projeto também incentiva o filho a tirar boas notas na escola e a ser uma pessoa melhor.

“Essa semente que a gente tem plantado com essas crianças impactam a região porque nossos atletas se destacam nos campeonatos e esse é um resultado recente”, destaca Aline. Hoje, o projeto tem dois objetivos principais. O primeiro é despontar e descobrir talentos e o segundo formar cidadãos conscientes. “A gente sabe que a disputa no mercado competitivo profissional no esporte é muito mais concorrida, ainda mais nesse tipo de esporte que em alguns momentos e lugares ainda é marginalizado e existe algum preconceito”, ressalta a coordenadora. “Dá para olhar com outros olhos para o esporte e encaminhar a criança, com poucas oportunidades, para a escola, para uma vida acadêmica, para uma profissão, para uma vida de retorno”.

Foto: Divulgação
O grupo viaja para competições e incentiva os atletas que querem se profissionalizar

Para fora d’água

Samuel Oliveira tinha 13 anos quando entrou no Oficina de Atletas. Ainda não sabia, entretanto, que poderia ganhar dinheiro com o que era, até então, um hobby. “Pensava muito mais em me divertir, mas colocaram na minha cabeça que a gente poderia competir, que tínhamos que estudar - o projeto também influencia bastante nisso”, destaca.

Para ele, toda vivencia foi única, devido, entre outras coisas, ao estimulo que tem e incentivo para ser um cidadão melhor. “Muitas crianças ficam na rua, sem ter o que fazer, o esporte faz toda diferença. Você está fazendo algo saudável, encontra amigos e pessoas que são como você, querendo evoluir, treinar, aprender, não são más influencias”, ressalta.

“Quando começamos a treinar, entendemos que o surfe ia muito além daquilo que já conhecíamos”, afirma. Cinco anos depois, sabe que se não tivesse participado da iniciativa, sua vida seria muito diferente. “Não teria terminado o inglês, estudado administração de empresas, não teria tirado uma nota alta no Enem, porque tudo isso vem de influência do projeto”, ressalta Samuel.

Foto: Divulgação
Samuel começou a participar da iniciativa aos 13 anos

“Por mais que eu não tenha virado surfista profissional, eu adicionei muita cultura. Conheci outro pais, outros estados, o surfe me abriu portas”, destaca o ex-beneficiado que, por ter atingido a idade limite da iniciativa, hoje, não participa mais, mas leva consigo os aprendizados. “É difícil você ver alguém que gosta do esporte jogar lixo no chão, latinha no mar, é totalmente o contrário. Eu mesmo quando vejo acabo tirando da água para não manter aquele lixo lá”, finalizou.