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Lutando pela sociedade

Fernanda Silva, especial para o Cidadania

O Instituto Reação dá oportunidade a atletas de comunidades cariocas e os tornam medalhas de ouro
no esporte e na vida

Foto: Divulgação/Guilherme Costa
Foto: Divulgação/Guilherme Costa
O Instituto incentiva crianças de todas a as idades a praticarem judô

Daniele Ferreira tinha 12 anos quando teve o primeiro contato com o judô. Destino ou coincidência, o esporte entrou em sua vida por acaso. Em 2000, a jovem moradora de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, estudava na Escola Municipal 25 de Abril, localizada na Freguesia. Na época, o ex-técnico da Seleção Brasileira de judô, Geraldo Bernardes, aos 56 anos, dava um novo passo em sua carreira esportiva. “Eu podia botar o pijama ou começar um trabalho novo — resolvi começar um trabalho novo”, lembra Bernardes.

Ele inaugurou um projeto junto aos empresários da Academia Body Planet, na Cidade de Deus. O grupo passava pelas escolas das redondezas a fim de recrutar possíveis alunos e atletas. O objetivo era ajudar na formação esportiva e intelectual destes jovens. Ao entrar na sala de aula de Daniele para divulgar as aulas de judô, despertou a curiosidade da pequena. “Por que não?!”, pensou ela, que com incentivo da mãe, foi à primeira aula experimental e começou a “pegar gosto pela coisa”. “Eu era muito interessada, sempre ajudava o professor Geraldo”, explica Daniele.

Em 2003, Geraldo se uniu a Flávio Canto, medalha de bronze em Atenas 2004, e ao judoca Eduardo Soares, o Duda. Os três levantavam a mesma bandeira e queriam levar o esporte às zonas menos favorecidas do Rio de Janeiro. Juntos, fundaram o Instituto Reação.

Foto: Divulgação/Guilherme Costa
Foto: Divulgação/Guilherme Costa
O Instituto também abre novos horizontes a jovens de comunidades cariocas

Observador, Bernardes conseguia ver os talentos de seus alunos e encontrou em Daniele uma futura professora. Investiu pesado nela. Levou-a para estagiar em uma das sedes do Instituto, ajudou-a a conseguir uma bolsa de estudos integral para a o curso superior de educação física e a colocou para estudar inglês. “Ele me carregou nos braços”, conta, agradecida. A ajuda deu retorno ao próprio instituto, já que Daniele hoje é contratada do projeto e leciona a judô para criança de quatro a seis anos.

O visionarismo de Geraldo rendeu ao Brasil também medalha de ouro nos Jogos Olímpicos do Rio. Era 2000, na Cidade de Deus. O técnico via a malícia das ruas cariocas no molejo e bom desempenho das irmãs Raquel e Rafaela Silva. “Elas tinham uns oito anos, eu olhei para elas e falei que as colocaria na Seleção”. Não deu em outra. As duas entraram para o Time Brasil e, em 2016, Rafaela subiu no lugar mais alto do pódio. “Ela se dedicou e chegou onde queria”, conta Geraldo.

Para o ex-atleta, hoje com 75 anos, o judô e o Instituto Reação mostram isso as pessoas: “Se você lutar, chegará onde quiser”. Para Geraldo, ele é prova viva disso. Recifense, veio à São Paulo aos cinco anos. Aos dez, o destino o levou a Cidade Maravilhosa. No Rio de Janeiro, consolidou-se e agora é “quase um carioca”.

Foto: Divulgação/Laureus
Foto: Divulgação/Laureus
O Instituto incentiva crianças de todas a as idades a praticarem judô

Começou a lutar cinco anos depois da chegada ao Rio, porque queria melhorar seu desempenho nas lutas de rua. Percebeu que o esporte era feito de algo muito maior. Em 1978, vendeu tudo o que tinha para conseguir bancar seus estudos — sobre judô— no Japão. Quando voltou, assumiu o comando da Seleção Brasileira e viu o Brasil subir ao pódio no Mundial de Paris. Walter Carmona, seu atleta, era bronze.

Deixou a equipe em 2000, quando colocou duas pontes de mamária e quatro de safena e enfrentou uma cirurgia delicada. Não parou. Queria ampliar seus horizontes. Trabalhando em comunidades carentes, via colegas duvidarem do desempenho dos novos judocas, que tinham poucos recursos — “são garotinhos pobres”, diziam. Três anos depois, em uma competição, quando viu seus primeiros alunos subirem ao pódio, cutucou uma “dessas pessoas que gostavam de falar”: “Não falei que você ouviria nosso nome várias vezes”, conta, orgulhoso.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Além do tatame: o Instituto também incentiva atividades em sala de aula

Desde então, os números de vitórias só cresceram. Ao todo, são 1357 beneficiados nos três projetos do Instituto. O primeiro deles é o Reação Escola De Judô e Lutas, que oferece aulas de judô e jiu-jitsu a crianças e adolescentes entre quatro e 18 anos. O objetivo da iniciativa é trabalhar os valores do esporte. “O judô tem uma filosofia de vida muito grande, que envolve respeito, disciplina, coragem e até auto estima”, explica Geraldo. O segundo projeto, Reação Educação, oferece aos atletas uma formação fora do tatame, com oficinas pedagógicas e os ajuda a conseguir bolsas de estudo em colégios e universidades. Há também a iniciativa que auxilia atletas olímpicos. Este trouxe para o judô brasileiro o primeiro título mundial feminino da história, em 2013, e o primeiro ouro olímpico na Rio 2016 — ambos com Rafaela Silva.

Hoje, a iniciativa segue recebendo doações, com o apoio de patrocinadores e voluntários.  “Com o objetivo de continuar a ajudar as pessoas a se transformarem”, concluiu Geraldo.