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Lugar de lixo não é na praia

Fernanda Silva, especial para o Cidadania

Além de limpar a costa paranaense, ONG oferece aulas de capacitação de salvamento aquático

Fotos: Divulgação
Foto: Divulgação
Não tem idade: crianças e adultos se unem em prol da natureza

Em 2 de fevereiro de 2012, a surfista de 23 anos, Renata Turra Grechinski, enroscou sua prancha em uma poita, artefato de pesca que estava submerso na praia de Guaratuba, no litoral do Paraná, enquanto praticava a modalidade. Por estar mais próximo da costa do que o permitido pelo Instituto Ambiental do estado, o objeto era clandestino e não contava com a boia sinalizadora. A consequência foi uma tragédia. Renata se afogou e faleceu.

“A partir daí, quisemos transformar uma perca em um ganho”, conta Silvia Turra Grechinski, irmã de Renata. A família, então, começou um projeto que propõe repensar a relação dos seres humanos com a natureza.

“O local onde a Renata faleceu não tem salva-vidas e os amigos dela não sabiam auxiliá-la”, lembra Silvia. A partir dos problemas identificados, nasceu a iniciativa Surfe Seguro. A proposta é oferecer aulas de capacitação de salvamento aquático para surfistas, população e interessados. O objetivo é reduzir o impacto de possíveis problemas e ainda auxiliar o trabalho dos bombeiros e outros profissionais de salvamento.

Foto: Divulgação
No verão, a quantidade de lixo na praia aumenta, segundo a ONG

“O litoral do Paraná é desfavorecido economicamente, temos um problema na socioeconomia de pesca no estado”, explica a idealizadora do projeto. “Fomos aprendendo e nos envolvendo. Vimos também que eram necessários mutirões de limpeza, já que tinha muita sujeira na orla”, destaca Silvia. Nasceu então a Parceiros do Mar, iniciativa parte do Surfe Seguro, que levanta a bandeira de uma lógica ambiental de conservação e impacto social positivo.

Um estudo publicado na revista Science, em 2015, mostrou que cerca de oito milhões de toneladas de lixo plástico são lançadas nos oceanos anualmente. “A população não vê o micro lixo como lixo” conta Silvia. “O papel da bala, o plástico, a bituca de cigarro, tudo é lixo. Os pequenos objetos são os itens consumidos, por exemplo, pelas tartarugas. Esses resíduos prejudicam também as espécies marítimas”.

“Falta conscientização da população em relação ao lixo até na parte de separação, reciclagem. Inclusive, durante nossas ações, nós orientamos os participantes a separarem o lixo, darem o destino correto para cada tipo de resíduo”, conta Katyane Aparecida Machado de Araújo, que há dois anos sai, junto à ONG, pela costa Paranaense recolhendo detritos deixados por visitantes.

Foto: Divulgação
Sacos de lixos são usados para recolher os objetos encontrados nas ações

“O verão é sempre a época em que há mais lixo. As temperaturas quentes levam turistas às praias e por isso, a sujeira é constante”, explica Rafaella Lins, assessora de mídias digitais da iniciativa. “Outro problema é que o mar carrega muito lixo que não conseguimos recolher a tempo”, destaca.

Para ajudar a sanar o problema, o grupo também propõe uma limpeza anual na orla, mas mais ao fundo do mar. Na primeira participação de Katy, o grupo encontrou uma geladeira na costa. “A gente acha muita coisa na areia e principalmente na restinga”.

Para a estudante de biologia, a missão vai além da limpeza. “Acredito também que mantendo o zelo por essas áreas litorâneas, desenvolvemos o turismo sustentável e deixamos boas práticas para as futuras gerações, auxiliando, principalmente, os moradores e quem tira o seu sustento dessa região”, finaliza Katyane.


MAIS INFORMAÇÕEShttps://www.facebook.com/SurfSeguro/

Foto: Divulgação
Os voluntários se unem em ações pela orla paranaense