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Lista do bem

Fernanda Silva, especial para o Cidadania

Buscando impacto social em pequenas e grandes causas, plataforma online permite que petições sejam criadas

Foto Arquivo Pessoal
Foto Arquivo Pessoal
Thiago Sagat criou petições para impulsionar a causa do filho

Foi logo após o nascimento de Pietro que sua família percebeu algo diferente no pequeno. Vendo a dificuldade respiratória do recém-nascido, a pediatra não hesitou e o enviou para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva), de onde só saiu 57 dias depois. Foi feito, então, a traqueotomia e a gastrostomia, procedimentos que o ajudam, respectivamente, a respirar e se alimentar. Hoje, anos mais tarde, ele precisa de acompanhamento contínuo de enfermeiros em sua casa, o chamado homecare. Aconteceu, entretanto, algo que seus pais não esperavam: ele foi “proibido” de sair de casa.

Pietro nasceu em 2009 com Miopatia Miotubular, uma síndrome que acarreta todos os músculos do corpo. “Dentro dos músculos temos uma proteína chama miotubularina e ele não a produz”, explica seu pai, Thiago Sagat. A condição acarreta, entre outras coisas, em pouca mobilidade, mas ela foi ainda mais limitada.

Com o tratamento sendo feito em casa, o convênio médico contratado pela família impedia que Pietro fosse à escola. Em 2015, começou, então, uma campanha. Por meio de uma petição online, 56 mil assinaturas apoiavam a educação do menino em um ensino regular. Eles levaram a melhor em um processo e a autorização foi cedida a ele.

Mais recentemente, a família precisou de uma nova petição. Dessa vez, o objetivo era conseguir a autorização necessária para que Pietro saísse de casa. Segundo o pai, o convênio não queria permitir sua saída da residência entendendo que o homecare, como o nome sugere, deve ser feito somente em casa.

Foi feito, então, outro abaixo-assinado, com quase 29 mil participações. Para Thiago, a iniciativa também serviu para que a população conhecesse seus direitos.

A petição foi feita por meio do Change.org, um portal de mobilização online presente em mais de 20 países. Desde 2012, quando o projeto chegou em terras tupiniquins, mais de 13 milhões de pessoas foram impactadas. A plataforma é gratuita, aberta, plural e neutra e permite campanhas por meio de abaixo-assinados.

Com mais de 300 petições criadas semanalmente, o grupo restringe, apenas, aquelas que defendem discurso de ódio ou que propagam algum tipo de preconceito. “As petições são muito mais positivas e propositivas”, explica Rafael Sampaio, diretor de campanhas da iniciativa.

Foto Arquivo Pessoal
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Pietro não tinha autorização para sair de casa, mas conseguiu reverter a situação com ajuda de petição

Apoio que gera apoio

Quando a Change.org identifica petições que têm potencial para fazer grandes impactos sociais, a própria organização as ampara. “Buscamos aquelas que têm um pedido concreto, real e uma história por trás”, destaca Rafael. Se concordado com o “dono” do pedido, inicia-se um trabalho de engajamento, tornando o texto mais atraente e buscando caminhos para a divulgação do material.

Desde 2012, quase 600 petições foram vitoriosas. A maior parte dos pedidos envolvem saúde. Eles podem ser pessoais, como o de Pietro, ou coletivos como, por exemplo, um pedido ao Governo para que ele forneça vacinas de HPV a todas as idades. “Os problemas da sociedade nem sempre são as coisas mais complexas do mundo. Temos que dar um passo e mostrar que é possível tornar vontades em coisas concretas”, destaca Rafael.

A iniciativa se torna também um caminho de comunicação com os alvos, ou seja, os tomadores de decisões e autoridades que podem ajudar a chegar no objetivo solicitado pelo abaixo-assinado.

Esse grupo decisivo passa a receber e-mails que os informam o número de pessoas que apoiam o pedido em questão. Além disso, as solicitações individuais também servem de inspiração para criar políticas públicas. “Essa é uma forma para que as pessoas consigam fazer mudanças. Não é preciso ter um milhão de assinaturas para fazer algo dar certo”, finaliza o entusiasta.