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Iniciativa promove acessibilidade comunicacional

Bianca Mascara, especial para o Cidadania

O futebol, paixão nacional do brasileiro, é o elo entre importantes questões sociais

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Catálogo em braile aumenta o acesso ao conhecimento e história do futebol motiva novos leitores

Futebol, Carnaval, samba e caipirinha são alguns dos clichês mais usados para representar o Brasil. Muito pouco para um país de mais de oito milhões de quilômetros quadrados. Entretanto, é difícil negar ao futebol o direito de diplomático de revelar nossa alma. Comentários e análises esportivas ocupam os debates e as discussões, na TV ou na rua, muitas vezes de maneira mais apaixonada do que aquelas que envolvem a política.

Isso seria um aspecto negativo, uma vez que questões sociais são algumas vezes deixadas de lado frente às matérias de futebol. Entretanto, é justamente o maior esporte do país que está chamando a atenção para importantes aspectos sociais como a acessibilidade.

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Foto Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Foto Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Foto Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Maquetes táteis e figuras em alto relevo são maneiras de promover acessibilidade

A iniciativa de aproveitar a popularidade do futebol para dar ênfase à inserção social é do Museu do Futebol. O espaço que se tornou um dos pontos turísticos da cidade de São Paulo desde 2008, quando foi inaugurado, nunca deixou de preocupar-se com a acessibilidade em sua arquitetura, e continua trabalhando para aprimorá-la.

No final do mês de janeiro, mais um gol foi marcado. O lançamento do catálogo do Programa de Acessibilidade irá permitir aos deficientes visuais o acesso comunicacional, um déficit nas políticas de acessibilidade do país, que frequentemente se esquece do direito imprescindível à informação.

Além do fácil acesso as dependências do Museu e da interação com os recursos em braile, o deficiente visual ganha mais uma maneira divertida e fácil de se aprofundar na história do futebol. Não se trata de uma leitura linear. O conteúdo compartilha textos em braile e figuras em alto relevo.

“Esse catálogo concretiza uma discussão sobre acessibilidade comunicacional. O Museu do Futebol já tem uma acessibilidade arquitetônica e agora desenvolve também sua comunicação”, afirmou Linamara Battistella, Secretária Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo. “Do ponto de vista estético, é uma obra de arte e do ponto de vista de conteúdo nem se fala”, completou a Secretária em referência ao catálogo.

Foram produzidos 2.000 exemplares. Alguns permanecerão no Museu do Futebol, para melhor atendimento ao público, os demais serão distribuídos para bibliotecas e entidades que cuidam de deficientes visuais, em todo o Brasil.

“O futebol é o carro chefe deste país e nenhum exemplo podia ser melhor. Certamente, um exemplo vindo do futebol e do Museu é para pegar”, exaltou o vereador Marco Aurélio Cunha, presente na cerimônia de lançamento do catálogo. “Poucas vezes percebemos o quanto é difícil para as pessoas com deficiência visual ter acesso à informação”, acrescentou.

A iniciativa foi aprovada por Mizael Conrado, bicampeão mundial e paraolímpico de futebol de cinco, modalidade para deficientes visuais, que atualmente atua na gestão do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), nos cargos de vice-presidente e secretário geral.

“O braile foi fundamental, porque só com o conhecimento é permitido a evolução do ser humano. Me sinto emocionado de ver o deficiente sendo tratado como cidadão”, declarou o campeão.

A Deputada Estadual Célia Leão ressaltou o fato das políticas públicas saltarem do papel e serem efetivamente aplicadas. “Palavras convencem, mas, sem sombra de dúvida, o exemplo arrasta. O Museu do Futebol é mais do que retórica, é prática”.

Sua companheira no exercício das políticas públicas voltadas aos deficientes, a Deputada Federal Mara Gabrilli mantém a mesma linha de raciocínio e pondera sobre a importância da adequação dos ambientes públicos. “Quem tem deficiência são as cidades e quem tem que se adequar é o meio”, lembrou Gabrilli, tetraplégica desde 1994.

Duas mulheres e uma luta

A relação entre a Deputada Federal Mara Gabrillie e a Deputada Estadual Célia Leão superam os trâmites políticos para melhorar as condições dos deficientes no país.

As trajetórias das duas deputadas se cruzaram muito antes da aproximação política. Gabrilli era publicitária e sequer imaginava que um dia iria se tornar tetraplégica. Antes do acidente em que fraturou a coluna cervical, ela foi ao gabinete de Célia Leão, pois queria ajuda para a realização de um evento com acessibilidade para cadeirantes.

A luta pelos direitos humanos começou antes mesmo de Gabrilli se tornar a primeira tetraplégica da Câmara Federal. A parceria das duas se estendeu, e hoje, ambas estão à frente dos trabalhos legislativos para uma política de inserção efetiva do deficiente na sociedade.

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Foto Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Um dos deficientes residentes, José Vicente de Paula foi acompanhado da esposa, Mirlene de Paula, ao lançamento do catálogo

Aprendizado mútuo

Além do catálogo recentemente lançado, o Museu do Futebol sempre demostrou preocupação com a acessibilidade em todos os sentidos.

O baixo custo dos ingressos não faz distinção de classes sociais, além de promover a visita gratuita às quintas-feiras. Escolas e instituições sociais são recebidas com frequência pelos monitores.

Como um dos principais pontos turísticos da metrópole paulista, os visitantes estrangeiros desfrutam da experiência no Museu com traduções em espanhol e inglês. O braile e o áudio-guias também fazem parte do passeio, bem como as maquetes táteis.

Tudo isso, são algumas das iniciativas do Museu do Futebol para aproximar todos os cidadãos, em favor da superação das disparidades sociais.

Todavia, ainda há medidas a serem tomadas para eliminar barreiras e promover a igualdade. Em vista disso, foi desenvolvido, em 2010, um projeto pioneiro: o Deficiente Residente.

Trata-se de uma vivência entre a equipe de educadores do Museu e dois residentes com níveis distintos de deficiência, pelo período de três meses, através de encontros semanais, nos quais a aproximação permite um aprendizado mútuo. Após a experiência, os residentes sugerem mudanças e os funcionários aprimoram o trato com o público especial.

José Vicente de Paula foi um dos participantes. “Foram três meses e uma qualidade de aprendizados muito boa com os jovens. No começo, estavam um pouco assustados, mas depois eles foram entendendo nossas necessidades”, ressaltou Zé Vicente, deficiente visual.

“No começo melhoramos a parte de locomoção, com o piso tátil, depois criamos algumas máscaras em alto relevo, falamos sobre curiosidades e fizemos sugestões para acessibilidade e contato humano”, especificou o fã do locutor José Silvério. “Ele é um verdadeiro áudio descritor”, elogiou.


MAIS INFORMAÇÕES: http://www.museudofutebol.org.br/