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Gosto amargo do Rio Doce

Fernanda Silva, especial para o Cidadania

Três anos atrás, um desastre humano mudou a história de centenas de mineiros e segue impactando suas vidas

Fotos: Yasuyoshi Chiba/AFP
Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP
Sem precedentes: este é considerado o maior desastre ambiental do país

O rompimento da barragem de Fundão, dia 5 de novembro de 2015, entre de Mariana e Ouro Preto (cerca de 100 km de Belo Horizonte, em Minas Gerais), provocou uma onda de lama que devastou os distritos próximos. O mais atingido foi Bento Rodrigues. Na ocasião, a região foi destruída e centenas de pessoas ficaram desabrigadas. O que se via era lama: nas ruas e no rio. Era tanta e tão forte, que devastou tudo e chegou ao mar.

A destruição foi material, social e ambiental. Provavelmente, muito do que foi junto com a avalanche nunca se veja outra vez. Para se ter uma ideia do impacto, segundo o Ibama, estima-se o lançamento de 50 milhões de metros cúbicos de rejeito de mineração, o suficiente para encher 20 mil piscinas olímpicas, composto principalmente por óxido de ferro e sílica (areia).

Depois que o tsunami de lama chegou sem aviso prévio, no meio da tarde, muita coisa mudou por lá. A vida dos moradores nunca mais foi a mesma. E para tentar amenizar a situação, foi, e ainda é, preciso colocar a mão na massa - ou na lama. Foi então que foi instituída a Fundação Renova, afim de firmar ações de reparação e compensação dos impactos provocados pelo rompimento da barragem de Fundão. Deste modo, dezenas de entidades como o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), a Agência Nacional de Águas (ANA), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), secretarias de Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, prefeituras e comitês de bacias hidrográficas supervisionam as medidas dos 42 programas em execução em todo o território afetado.

“Em uma tragédia dessas proporções não se decide nada sozinho, de forma unilateral. A Fundação Renova faz parte de um sistema de mais de 70 entidades, em que a busca de soluções e a tomada de decisões são compartilhadas”, destaca nota da iniciativa.

Segundo a Fundação, essa foi a primeira vez no país em que empresas responsáveis pelos danos arcam com os custos da reparação. Além disso, os órgãos públicos definem e supervisionam a realização das ações, que são executadas por uma entidade autônoma. Até agora, a frente de indenizações e auxílios financeiros, criada como alternativa mais ágil em relação ao processo de judicialização, destinou cerca de R$ 1 bilhão para compensar danos nas regiões impactadas.

A Fundação Renova aluga cerca de 300 casas na região de Mariana (MG) para abrigar as famílias das vilas atingidas pelo rompimento de Fundão. As casas encontram-se em diversos bairros do município.

Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP
A vida dos moradores da região foram para sempre afetadas

E a lama?

Depois que a barragem se rompeu, o que se via era lama. Mas não se podia deixa-la ali. Assim, a região impactada foi dividia em 17 trechos. Além disso, amostras de sedimento também foram colhidas para ajudar na busca por uma solução, considerando fatores como quantidade e distribuição da lama. A decisão final para cada trecho tem como princípio as soluções com menor impacto ao meio ambiente e à sociedade.

Parte das propostas foram entregues à Câmara Técnica de Gestão de Rejeitos e Segurança Ambiental. Até o momento, foram concluídos os planos para os trechos 1 a 8, exceto para a área de Bento Rodrigues - o que será feito da área atingida está em definição com a comunidade. Além disso, o plantio de árvores nativas, bem como a retiradas de centenas de metros cúbicos de rejeitos também já foram e devem continuar a ser retiradas.

Em Bento Rodrigues, na área mais atingida pelo desastre, em agosto deste ano, começaram as obras de reassentamentos, que devem se estender pelos próximos dois anos. Nela, depois da supressão vegetal e terraplenagem, acontecerão obras de infraestrutura, como pavimentação, drenagem, redes de esgoto, distribuição de água e de energia. Após essa etapa, serão construídas as residências e equipamentos públicos.