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Expedições Inclusivas

Fernanda Silva, especial para o Cidadania

Projeto mostra que é possível superar dificuldades e ultrapassar limites

Fotos: Divulgação
Foto: Divulgação
A cabo (nas mãos dos aventureiros) é utilizado para guiar deficientes visuais em longas caminhadas

Foi em março 2014, após uma infecção generalizada, que a estudante de jornalismo, Ravelly Santana, perdeu a perna direita. O incidente não foi fácil de ser superado, mas a jovem baiana, assim como outras pessoas com deficiência, encontrou no esporte um alicerce e uma nova perspectiva de vida.

Ravelly quis, literalmente, alçar voos mais altos e, em 2016, saltou de paraquedas. A realização só aconteceu com o apoio que a estudante recebeu do projeto Expedições Inclusivas.

Foto:  Divulgação
Eduardo Soares, que participará da próxima expedição no exterior, também foi ao Jalapão (TO)

Desde 2012, a iniciativa difunde o turismo de aventura através de expedições nacionais e internacionais, além de palestras e oficinas que capacitam e sensibilizam empresas a incluírem em seu cotidiano pessoas com deficiência física e visual.

A primeira jornada do projeto aconteceu em 2013, na Bolívia. Na ocasião, dois deficientes visuais subiram a montanha mais procurada para escaladas do país, a Huayna Potosi. Dois anos depois, o destino foi o Jalapão (TO), para praticar rafting no deserto, com um cadeirante e um deficiente visual.

“Trabalhamos com a ferramenta da inclusão reversa, onde o deficiente inclui os que não têm deficiência, justamente para que o conhecimento sobre como auxiliá-los seja disseminado e que os preconceitos de supostas dificuldades (por falta de conhecimento) sejam quebrados. Antes de todas as expedições, fazemos treinamentos preventivos e gestão prévia de riscos para que os deficientes tenham toda segurança”, explica Ana Borgis, especialista em atividades e esportes de aventura e idealizadora dos Expedições Inclusivas.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 45,6 milhões de brasileiros declararam em 2010 ter alguma deficiência (visual, auditiva, mental ou motora) - o valor equivale a 23,9% da população do país. Por este motivo, a iniciativa quer criar diferentes opções de lazer e sociabilização para essa parcela da população que, muitas vezes, se sente limitada.

Atualmente, o grupo está arrecadando verbas, por meio de um crowdfunding, para três grandes projetos, dois no Brasil e um no exterior. O mais próximo de São Paulo acontece em Paraty (RJ). Trata-se de mergulho com dois cadeirantes e dois deficientes visuais. Já na região sul do país, em Santa Catarina, dois cadeirantes, um deficiente visual e uma amputada participarão da expedição de ciclismo no Vale Europeu. Fora do Brasil, o atleta amador, Eduardo Soares, que tem apenas 10% da visão, subirá as seis maiores montanhas do mundo, sendo o primeiro Sul- Americano a realizar esse desafio.

“Para essa expedição, eu treino todos os dias. Além de um trabalho de musculação e funcional, faço treinamentos técnicos, subo montanhas, fico horas caminhando ou correndo para adquirir resistência, para que, na primeira montanha, na Rússia, eu esteja com um bom condicionamento”, explica o atleta.

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Na Bolívia, além dos desafios do relevo, o grupo também enfrentou dias com frio intenso