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Existe amor em SP

Fernanda Silva, especial para o Cidadania

Projetos levam auxílio a moradores de rua na Capital Paulista

Fotos: Divulgação
Foto: Divulgação
Além de alimentos, as duas iniciativas querem levar carinho e amor aos moradores de rua

O paulista Kleber Cavalcante, conhecido pelo nome artístico Criolo, ganhou holofotes nacionalmente ao escrever “Não Existe Amor em SP”. Na letra, o músico compara a maior metrópole da América do Sul a um buquê de flores mortas e parece desacreditado com o altruísmo e afeto Capital. Sem querer tirar a credibilidade do poeta, mas colocando em prática o que acreditam, dois jovens, Ana Luiza Kamoto e Lucas Caldeira Brant, desafiaram a afirmação feita pelo cantor

Em ambos os casos, a inspiração para a quebra de paradigma veio das ruas. Ana Luiza, morada de São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, chorava quase que diariamente quando via famílias inteiras pedindo dinheiro e comida na avenida Paulista, onde trabalha. Lucas, por sua vez, sentiu-se tocado em uma noite fria, quando saiu de sua cama para buscar mais um cobertor, para, enfim, poder dormir.

O desconforto foi inspiração para a criação de dois projetos diferentes, mas com conceitos parecidos. Ana fomentou o SP Sem Fome. Lucas, o Entrega por SP. Nas duas iniciativas, os participantes distribuem diversos itens a pessoas em situação de rua na principal metrópole do país. Faça chuva, faça sol ou faça lua.

SP Sem Fome  - A primeira experiência de Ana nas ruas foi em julho de 2015 e começou com outros 14 participantes. O objetivo deles não era simples. Além de itens de necessidade básica, eles queriam distribuir algo intangível, mas importante. “Nossa maior missão é doar todo o amor, carinho e atenção e com o objetivo de oferecer oportunidades para eles”, conta Ana.

Foto: Divulgação
Os grupos exploram também outras formas de integração social

A ideia deu certo e o projeto cresceu. Ganhou uma página no Facebook, usada para a divulgação das iniciativas, e conta com cerca de 50 voluntários por saída. No penúltimo domingo de cada mês, o grupo se reúne no centro de São Paulo e segue uma rota definida nas ruas da cidade. Eles entregam almoços ou lanches, preparados pela equipe e voluntários do projeto.

“Já conhecemos muitos dos moradores que por lá habitam e isso faz com que tenhamos vínculos com vários”, conta Ana. “Já nos falaram que quando vamos e passamos um tempo conversando com eles, eles não sentem vontade de usar drogas, pois estão felizes”, relata. “Isso é um grande passo para nós”, conclui.

Entrega Por SP -  Foi uma madrugada fria de julho de 2013 que fez Lucas, no conforto de casa, pensar nos moradores de rua. Ele teve a ideia de sair para conversar com as pessoas que dormem nas vias da capital paulista e a colocou em prática. Os papos — e o início do projeto Entrega por SP — fez o jovem conhecer um pouco mais da realidade dos sem teto.

“Nós os ouvimos e construímos nossa história com eles. Entendendo o que as ruas diziam, percebemos que deveríamos ter nossos ouvidos atentos”, conta Lucas. O projeto, então, elaborou um kit que suprisse as principais necessidades dos moradores de rua. Escova de dente, pasta, sabonete, água, bolacha, sanduiche e camisinha, são alguns dos itens distribuídos. “São todas coisas que as ruas nos pediram”, relata o idealizador.

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Alimentos e itens de higiene fazem parte das distribuições

Quatro anos depois da primeira iniciativa, o projeto soma valores expoentes.  Até maio de 2017, eram cerca de 4.600 voluntários e 32.200 pessoas beneficiadas com kits. Além de São Paulo, outras três cidades receberam o projeto: Santos, Campinas e Cuiabá.

Para participar, além de muita vontade, é preciso pouco sono. As entregas começam às 20h e terminam, geralmente, por volta das quatro da manhã, sempre às terças ou quintas-feiras.  “São dias que têm menos projetos indo para as ruas de São Paulo, por isso tem mais necessidade e optamos por esse calendário”. A rota do grupo apenas termina quando todos os kits são entregues. Segundo Lucas, são cerca de 1.300 pacotes distribuídos em uma madrugada.

“Andamos com os kits no porta-malas e sempre que encontramos alguém em situação de rua a gente conversa, explica. “ Levamos muito respeito, muito carinho, trocamos experiências e despertamos o sentimento de amor o e amizade”, reflete Lucas.