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Donos da terra

Fernanda Silva, especial para o Cidadania

Organizações lutam pelos direitos indígenas e pela preservação da Amazônia

Foto: Adriano Gambarini/Opan
Foto: Adriano Gambarini/Opan
Nativos da Terra Indígena Pirineus de Souza realizam rito de passagem das meninas para a vida adulta

A maior floresta tropical do mundo é a Amazônia, que só no Brasil abrange cerca de 368.989.221 hectares — para se ter ideia, um hectare é mais ou menos do tamanho de um campo de futebol. Além da biodiversidade, o norte do País também é rico culturas que, na década de 70, foram ameaçadas de extinção: as indígenas. Estima-se que há cerca de 342,8 mil índios só nesta região. No território nacional, são 896,9 mil, de acordo com o Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).

Nos anos 1980, houve uma reversão da curva demográfica e a população indígena, que tinha números em constante declínio, voltou a crescer de forma constante.  Hoje, cerca de 324 mil deles vivem em cidades e outros 572 mil em áreas rurais. Esses territórios tradicionais, entretanto, são constantemente alvo de ameaças. Para defenderem seus espaços, os povos unem-se a organizações que querem ajudar a proteger seus direitos e suas terras.

Foto: Laercio Miranda/Opan
Foto: Laercio Miranda/Opan
Crianças ajudam na plantação da roça na Terra Indígena Manoki (MT)

A primeira ONG indigenista do Brasil começou seu trabalho em 1969, uma época em que se acreditava- que o desaparecimento dos povos indígenas seria algo inevitável. “Trabalhamos em prol dos direitos deles. Queremos que eles tenham suas garantias respeitadas. Várias são as ameaças contra os direitos indígenas, entre elas obras de infraestrutura [como hidrelétricas, estradas, mineração] que são projetadas, construídas e operadas sem consultar os indígenas, donos dos territórios”, explica o antropólogo Ivar Bussato, coordenador geral da ONG Operação Amazônia Nativa (Opan).

“Propomos um olhar mais próximo para entender a realidade deles, o que realmente precisam e quais seus interesses. Isso leva um tempo e convivência”, explica Ivar. Segundo ele, muitas vezes, os voluntários passam noites nas aldeias para ver e conhecer a forma de vida dos indígenas. “A imersão é necessária para uma atuação mais direta e uma contribuição maior”.

Contribuindo com o planejamento, Ivar sabe que a maior luta pelos povos indígenas é a luta pelo território. “A população aumenta, mas em contrapartida, querem diminuir o espaço desses grupos”, conta. “Como cidadãos, eles também têm o direito de praticar sua cultura e lutar por um lugar com mais dignidade, que os deixem viver de seu jeito. Os territórios são deles”.

Foto: Flávio André Souza/Opan
Foto: Flávio André Souza/Opan
Índios fazem aproveitamento de sua floresta, extraindo seringa, no Mato Grosso

PELA FLORESTA — Além da Opan, outras iniciativas também promovem um envolvimento sustentável, a conservação ambiental e a melhoria da qualidade de vida das comunidades ribeirinhas do estado do Amazonas. Com essa missão, a Fundação Amazonas Sustentável (FAS) trabalha, desde 2008.

“Nosso lema é fazer a floresta valer mais em pé do que derrubada”, explica Felipe Irnaldo, Coordenador de Comunicação na FAS. “Acreditamos que agregando valor aos serviços que Amazônia presta ao mundo, a gente consegue diminuir o desmatamento e fazer com que as comunidades tradicionais tenham uma vida de qualidade”.

Contando com engajamento das comunidades e com o apoio de voluntários, o projeto estima que nove mil famílias já foram beneficiadas com projetos de geração de renda, melhoria de qualidade de vida, acesso ao ativismo e empoeiramento comunitário.


MAIS INFORMAÇÕES:
www.amazonianativa.org.br
http://fas-amazonas.org/