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Desembriagando a vida

Fernanda Silva, especial para o Cidadania

Informação e conhecimento podem ajudar na luta contra o consumo exacerbado do álcool

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Guias e livros são publicados para alertar sobre o risco do álcool. Os materiais têm públicos variáveis e estão disponíveis na internet.

“Quando eu começar a beber de manhã, estou ferrado”, pensou Cláudio Henrique da Silva, aos 28 anos, quando ainda não se considerava um alcoólatra. Nessa altura, a bebida já fazia parte de sua rotina. Mal esperava ele que, algum tempo depois, seu sinal de alerta seria ligado. “Passei a ter convulsão e sabia que isso era um sinal de que meu corpo queria bebida – então, comecei a beber de manhã. Estava ferrado”, lembra, quase 25 anos depois. Estudioso, Henrique pôde entender o que acontecia com seu corpo para fazer o que realmente precisava: colocar o fim em seu relacionamento com a bebida.

“Eu nunca achei que era alcoólatra, em nenhum momento, e continuava sempre bebendo”, conta Luiz Rogério Abreu, que teve uma história parecida com a de Henrique, deixando o álcool afetar sua rotina, família e trabalho. “Sentia que ele me livrava de todos os problemas”, conta.

Para virar a página do vício, Henrique precisou passar por um susto e esquecer o que fez no dia anterior para iniciar sua jornada contra o álcool, em março de 2006. Luiz, por sua vez contou com um amigo que o incentivou a ir para uma clínica de reabilitação. Desde então, a trilha de ambos não foi fácil. Hoje, recuperados, eles concordam: estar informado sobre o que e como tratar é importante para conscientização e cura do alcoolismo.

“Por estudar muito, tinha consciência do que estava acontecendo. A pessoa que tem conhecimento, sabe o que está se passando”, destaca Henrique. “A informação ajuda a parar”, afirma. Com ele, concorda também o Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa). Idealizado pelo professor e psiquiatra especialista em dependência química, Dr. Arthur Guerra, o Cisa coloca em pauta a relação entre a bebida e o corpo. Para isso, a entidade divulga resumos de publicações científicas reconhecidas nacional e internacionalmente, dados oficiais (governamentais) e informação sobre o assunto. Além disso, o grupo produz materiais de educação e prevenção do consumo exacerbado de álcool, voltados a pais, educadores, jovens e motoristas.

“O Cisa nasceu da necessidade de fornecer informações de qualidade para o público em geral”, explica a doutora Erica Siu, biomédica especialista em dependência química e coordenadora da iniciativa. “É uma forma de conscientizar a população em geral sobre os riscos do consumo nocivo de álcool para a saúde. Ao saber dos efeitos do uso de álcool para a saúde e as consequências de seu consumo excessivo, o indivíduo pode fazer escolhas mais saudáveis para sua vida”, destaca.

O álcool é uma substância depressora do Sistema Nervoso Central (SNC) e age diretamente em diversos órgãos, tais como o fígado, o coração, vasos sanguíneos e na parede do estômago. “O uso nocivo dessas substâncias está associado a cerca de 60 tipos de doenças e lesões, por isso é importante a conscientização sobre este tema”, explica Siu. Luiz viveu na pele — e no corpo.  Quando bebia frequentemente, começaram a surgir os problemas de saúde. “Fui diagnosticado com pancreatite, hepatite, anemia e infecção, entre outros problemas, consequências do álcool”, lembra.

Tatiane Gigante conhece bem essa realidade. Filha de alcoólatra, ela recorda episódios de quando ainda era muito pequena. “Ela tentava de todo jeito fugir daquela vida dela e não admitia isso como alcoolismo”. Tempo depois viu sua mãe, Suelly, parar de beber quando ela começou a empreender e vender marmita. Em julho de 2000, uma pneumonia atingiu o corpo já debilitado da etilista, que mesmo depois de seis meses sem beber, não conseguiu reagir, aos 47 anos. “Se naquela época eu tivesse o conhecimento que tenho hoje sobre o alcoolismo como uma doença e não como uma fuga, que a depressão é uma doença, talvez minha mãe estivesse viva”.


MAIS INFORMAÇÕES
http://www.cisa.org.br/