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De lacre em lacre

Fernanda Silva, especial para o Cidadania

Campanha incentiva arrecadação dos feches de latinhas para trocá-los por cadeiras de roda

Fotos: Divulgação
Foto: Divulgação
Gabriel ganhou mais independência e mobilidade com a nova cadeira, conquistada com ajuda do Entre Rodas

A falta de força nos músculos das pernas colocou Gabriel Lima de Azevedo na cadeira de rodas ainda aos dois anos de idade. Cresceu acostumado com a condição e as limitações que ela lhe impunha, além das constantes dores nas costas, consequência do equipamento pouco confortável, mas de custo baixo, que sempre usou. “O encosto era alto, a roda, baixa e a cadeira, em si, pesada”, lembra o jovem anos mais tarde. Hoje, aos 13, trocou lacres de latinhas de alumínio por uma cadeira nova e adaptada às suas necessidades. “É muito melhor, além de tudo, sinto-me mais independente e não preciso tanto da ajuda da minha mãe”, destaca.

Diagnosticado com artrogripose muscular, uma condição caracterizada pela malformação das articulações, ocasionando limitação de movimento e menor força muscular, ainda na primeira infância, Gabriel contou com a doação do projeto Entre Rodas para conseguir uma cadeira que facilitasse sua locomoção e desse mais conforto a ele. Para bancar o novo aparelho, que custa cerca de R$5.400,00, e sonhar com a compra de outras 107 cadeiras para doação, a iniciativa está coletando lacres de latinhas.

O projeto precisa pagar “apenas” 50% do custo total do equipamento, já que o fabricante doa o restante do montante. Assim, a conta é simples, mas expressiva: um quilo de lacre tem cerca de quatro mil peças e é vendido por aproximadamente R$3,40. Deste modo, para comprar uma cadeira, é preciso cerca de 800 garrafas pets cheias de peças. Em outro número, aproximadamente 3,2 milhões de pecinhas de alumínio.

“A gente trabalha só com o lacre porque os catadores usam as latinhas para gerar seu sustento e não queremos acabar com esse sistema já existente”, destaca Eliane Lemos, diretora executiva do Entre Rodas. Ela reconhece que o processo pode ser demorado, mas acredita que a insistência vale pela qualidade da doação.

Foto: Divulgação
Até agora, 25 cadeiras foram doadas . Os equipamentos são personalizados e feitos sob medida para o beneficiado.

Até agora, 25 cadeiras foram cedidas para crianças de cinco a 14 anos, que estão na fila do governo em busca de uma cadeira de rodas, em uma espera média de até cinco anos. “O jovem precisa estar matriculado em escola regular e ter o controle do tronco”, explica Eliane. Para 2018, a meta é a entrega de mais 180. Gabriel, que “já teve sua vez”, agora luta pelos demais. Ele tem três garrafas cheias de lacres e está enchendo a quarta. “Tenho que juntar para ajudar os outros, agora que tenho a minha. Todos merecem uma”, destaca o estudante.

“A cadeira aumenta a independência e liberdade dessas pessoas. Elas se colocam em posição de igualdade com uma cadeira personalizada”, ressalta Eliane. Gabriel é um desses exemplos. Apesar de suas limitações, o menino luta capoeira. “Faço a aula como todo mundo, até plantar bananeira eu planto”, conta, com alegria na voz.

Acabando com o mito

A campanha tem o desafio de acabar com o mito de que se pode trocar lacres de latinha por cadeiras de roda. Intitulada “Não é Mito”, o objetivo é mobilizar ainda mais os habitantes do País recordista mundial de reciclagem de alumínio, os brasileiros. “A doação do lacre é algo sinestésico. A pessoa sente que está ajudando aos outros e também ao meio ambiente”, destaca Eliane Lemos.

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A ONG faz reuniões e organiza eventos para divulgar o projeto e alcançar suas metas

O grupo já conta com pontos de coleta em São Paulo Capital, Grande São Paulo, além de Maringá (PR), Curitiba (PR) e Teresina (PI). Quem está longe dessas regiões também pode contribuir com os lacres. “A pessoa pode juntar os lacres e vendê-los em algum lugar próximo a sua casa. Depois, ela entra em contato com a gente para nos entregar o dinheiro”, explica Eliana.


MAIS INFORMAÇÕES
https://www.entrerodas.org/