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Construindo sorrisos

Fernanda Silva, especial para o Cidadania

Projeto oferece cirurgias gratuitas de reconstrução facial para quem não tem condições de pagar

Foto: Carla Formanek/Operação Sorriso
Foto: Carla Formanek/Operação Sorriso
Jeziel e Ygor viajaram quatro dias de barco e balsa para chegar a Santarém

Foi no município de Porto de Moz, localizado no estado do Pará, onde nasceu Ygor Alencar. Com apenas um ano e um mês, o pequeno teve que enfrentar uma cirurgia reconstrutiva da face, devido à má formação que o acompanha. “No ultrassom ele parecia não ter nenhum problema”, lembra Jeziel Nascimento, pai do menino. Quando Ygor nasceu, entretanto, a família percebeu que ele tinha lábios leporinos. “Foi a maior tristeza, mas pensamos que precisávamos buscar uma solução”.

O lábio leporino é uma deformação em que o lábio e, por vezes, o céu da boca não se fecham completamente durante a gestação, fazendo com que a criança nasça com uma fissura na região. No Brasil, um a cada 650 nascimentos tem o problema, segundo informações do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho), da Universidade de São Paulo (USP). Ao todo, 28 hospitais no País fazem o atendimento especializado para o tratamento das fissuras. A baixa quantidade de locais que oferecem o serviço faz com que muitas regiões do país não tenham acesso aos recursos necessários.

É o que aconteceu com Ygor. Uma viagem de quatro dias, de barco e balsa, separa o bebê de Santarém, terceira maior cidade do estado onde, finalmente, ele pôde iniciar seu tratamento. Junto de seus pais, a criança, de um ano e um mês, encontrou na região os médicos que fizeram nele um dos principais passos rumo à recuperação: a cirurgia.

O agricultor paraense de 23 anos, Jeziel, entretanto, não tem os, pelo menos, R$3 mil necessários para bancar o procedimento médico de reconstrução que o filho precisa. Por isso, a família conta com ajuda da ONG Operação Sorriso.  O projeto reúne médicos voluntários para operar gratuitamente pessoas nascidas com deformidades faciais. Fundada nos Estados Unidos, em 1982, pelo cirurgião plástico Dr. Bill Magee, e sua esposa, a enfermeira Kathy Magee, a iniciativa hoje tem sede em 60 países. Em solos brasileiros, há cerca de 350 voluntários cadastrados, que ajudam nas missões dentro e fora do País, mas principalmente no Norte e Nordeste brasileiro.

”O trabalho humanitário é, sobretudo, uma responsabilidade”, conta Ana Leme, coordenadora de comunicação da ONG. “Ser voluntário da Operação Sorriso significa atender quem nos procura pedindo ajuda com qualidade, amor e humanidade”, explica.

O grupo reúne profissionais de oito áreas médicas, além de outras seis carreiras não relacionadas à saúde. “Independentemente da área, o voluntário da Operação Sorriso tem por conceito básico a solidariedade”, ressalta Ana.

Missões Brasil a fora

Foto: Carla Formanek/Operação Sorriso
Os profissionais que auxiliam a Operação Sorriso são cadastrados, treinados e avaliados dentro de áreas específicas

No último ano, a ONG realizou 166 missões humanitárias em 28 países. No Brasil, somam-se nove entre 2016 e 2017. Neste ano, eles ainda devem visitar Fortaleza (Ceará), e Porto Velho (Roraima).

Além das cirurgias, em cada missão, o paciente passa por consultas médicas gratuitas de nove especialidades. Os que são operados naquela seguem em acompanhamento pelo hospital local. Na ação em Santarém, após sua cirurgia, Ygor ficou mais uma semana na região para passar por uma dessas consultas. Lá, eles ficaram hospedados em uma casa de apoio, também oferecida pela ONG. “Isso ajuda muito, porque não somos daqui e não teríamos onde ficar”, ressalta Jeziel.

Ele conta que, antes da cirurgia, seu filho tinha dificuldades para se alimentar. “Ele não podia mamar direito, usávamos uma mamadeira para tentar ajudá-lo”, lembra o pai. Futuramente, Ygor deve voltar a buscar ajuda da ONG, porque tem fissura no lábio e no céu da boca, e apenas a primeira foi corrigida no mutirão que aconteceu em agosto deste ano.

Segundo o projeto, entretanto, a logística para retornar a região é complexa. Eles transportam uma equipe de aproximadamente 60 voluntários e ainda levam todos os equipamentos e suprimentos médicos utilizados, de modo a garantir a qualidade e segurança das cirurgias, e evitar o uso de recursos do sistema público de saúde. Para bancar as viagens, a iniciativa conta com empresas parceiras.

Ana explica que a cada três minutos nasce um bebê com a fissura. A deformação, por vezes, torna-a incapaz de comer, falar corretamente e sorrir. “Essa criança, já discriminada por sua condição social, ela se isola e perde a perspectiva de inclusão”, lembra. “Arrumar um namorado, um emprego ou passar um batom passam a ter outro significado para quem carrega essa marca escancarada no rosto”. Ana acredita que o projeto muda a vida dessas crianças, devolvendo a elas o sorriso, a autoestima e a perspectiva de inclusão social. “Isso é o que nos motiva e o que nos guia”, conclui.


MAIS INFORMAÇÕES:
http://www.operacaosorriso.org.br/