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Como fazer parte da história?

Cilene Victor (*)

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Para Cilene Victor, o acesso à informação sobre a crise humanitária é o primeiro passo para que ela não seja condenada à invisibilidade

Meses antes de deixar o cargo de secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em dezembro de 2016, Ban Ki-moon tentou traduzir em dois grandes acontecimentos a urgência do enfrentamento da maior crise humanitária desde o final da Segunda Guerra Mundial.

Há um ano, o primeiro deles, a Cúpula Mundial Humanitária (World Humanitarian Summit), realizada em Istambul, Turquia, reunia líderes de governos, empresas, organizações humanitárias, academia e sociedade civil para a busca de esforços, em nível mundial, capazes de reduzir o sofrimento das vítimas de conflitos armados, guerras civis e desastres.

No intervalo entre a Cúpula Mundial Humanitária, em maio, e a reunião de Alto Nível sobre Grandes Movimentos de Refugiados e Migrantes, em setembro, ocorrida na sede da ONU, em Nova York, as estatísticas alcançavam níveis inimagináveis e incompatíveis com os avanços que a humanidade deslumbrava alcançar nesta segunda década do século.

Segundo o Acnur (Agência da ONU para Refugiados), são mais de 135 milhões de pessoas que dependem de algum tipo de assistência humanitária e cerca de 65,3 milhões em situação de refúgio, fugindo de guerras, perseguições ou tortura.

Se, no final de 2005, o Acnur registrava uma média de seis pessoas deslocadas a cada minuto, hoje esse número subiu para 24 pessoas por minuto, a maioria  mulheres e crianças.

Adotada durante a reunião de Alto Nível, que precedeu a 71ª Assembleia Geral das Nações Unidas, a Declaração de Nova York contemplou os alertas feitos durante as plenárias e sessões especiais da Cúpula Mundial Humanitária, a primeira desde a criação da ONU, e traduzidos na  Agenda pela Humanidade.

Ao adotarem a Declaração de Nova York, documento não vinculante, ou seja, sem força de lei, os 193 Estados-membros da ONU assumiram o compromisso de iniciar negociações e esforços que culminarão com um pacto global para os refugiados, a ser apresentado em 2018.

E qual o nosso papel na história? Temos de fazer duas considerações diante da fala do atual secretário-geral da ONU, António Guterres, que passou a repetir o apelo de seu antecessor: “esta é a maior crise humanitária dos últimos 70 anos”.

Aqueles com idade acima de 70 anos vivem, portanto, a segunda crise humanitária de sua existência. Para os mais jovens, esta é a maior crise humanitária da nossa existência e caberá a nós, que metaforicamente estamos do lado de fora de um campo de refugiados, a definição do futuro e a devolução da dignidade a esses 65,3 milhões de homens, mulheres e crianças que se viram diante de uma “escolha impossível”, o refúgio.

Informar sobre a crise humanitária na mídia, nas salas de aula de escolas e universidades, nos cultos religiosos e em todos os cantos e instituições sociais é o primeiro passo para impedir que ela seja condenada à invisibilidade ou tratada com efêmero apelo midiático.

O acesso à informação [de qualidade] é condição primária para a formação de uma opinião pública lúcida e capaz de pressionar seus governos para que a adoção da Declaração de Nova York recupere, também, a utopia e o papel que a Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada em 1948, alcançou ao longo de quase sete décadas.

Temos tudo para fazer parte da história, basta escolhermos por qual porta queremos acessar a humanidade.


*  Cilene Victor é Professora dos cursos de Jornalismo e RP da Faculdade Cásper Líbero, jornalista das áreas de ciência e meio ambiente. Sua participação na Cúpula Mundial Humanitária resultou numa reportagem especial para o Jornal da Gazeta e em dois artigos científicos.