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Calçar sapatos alheios

Jorge Tarquini (*)

Foto Divulgação
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Jorge Tarquini: Ao nos colocarmos no lugar do outro, podemos começar a compreender o comportamento do outro

Já parou pra pensar 1: como é ser o outro? Sim, como é ser a pessoa que pensa diferente, que vive uma vida diferente, que tem outras esperanças, necessidades, opiniões, modo de olhar o mundo?

Sabia que isso tem nome? Pois tem: empatia. Trata-se da capacidade de sentir o que sentiria uma outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela. Ou seja: tentar compreender sentimentos e emoções pelo olhar e pelas referências do outro. Experimentar de forma objetiva e racional o que sente outro indivíduo.

Bem, é isso o que tem faltado no mundo ultimamente. Basta ver o medíocre universo binário em que a humanidade se meteu (e o nosso país em particular). Além de todo mundo ter certeza absoluta de tudo, de física quântica a qual o melhor sabor de sorvete – passando pelo como os outros devem viver suas vidas ou qual o melhor sistema para em que a humanidade inteira deve viver.

Medo, gente. Muito medo desse mundinho totalitário, binário e sem empatia. E sem diálogo (ele tem se tornado impossível...).

E pra que serve a empatia? Ao nos colocarmos no lugar do outro, ou, como diz o ditado, calçar os sapatos alheios, podemos começar a compreender o comportamento do outro e suas reações em determinadas circunstâncias, a forma como o outro toma as decisões – antes de sair julgando. Se você já foi julgado por alguém sem empatia, sabe bem o que estou dizendo. Mas não se iluda: você, eu e todo mundo já julgamos sem esse acessório básico da dignidade humana.

Te convido a parar pra pensar em como a empatia pode tornar o mundo um lugar melhor. 110% de garantia de que dá resultados.

Já parou pra pensar 2: quanto tempo faz que nós, brasileiros, estamos vivendo um longo inverno de afetos, de diálogo, de sentimento de pertencimento e de olharmos para o mesmo ponto no horizonte?

Desconheço qualquer empreitada humana que tenha sido bem-sucedida pela divisão entre o lado a e o lado b. Quando é mais importante ter razão do que resolver problemas que são de todos, tudo vira nevasca, daquelas em que nem se enxerga a ponta do próprio nariz.

E você? O que tem feito para resgatar sua empatia, seu sentimento de pertencimento, sua dignidade como cidadão e como pessoa? Continua descartando amigos no face ou ignorando parentes nos almoços de família? Em nome de quê?

Estamos todos a bordo de um bote inflável com malucos portando canivetes e ameaçando furar o bote. Pouco importa quem o fará: todos naufragaremos...

Hora de reconstruir pontes. Algumas, bem sabemos, estão perdidas para sempre. Paciência. Mas a maioria, garanto, depende apenas de deixar entrar um pouco de luz nessa era de trevas.


(*) Jorge Tarquini é mestre em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo, onde se graduou em 1985. Foi Diretor de Redação das revistas Quatro Rodas e Terra, entre outras publicações. Em 2003, criou a Scribas Produção de Conteúdo, à qual dirige ainda hoje. Vencedor do Prêmio Esso de Jornalismo 2013. Com Pós em Docência no Ensino Superior, é professor de Empreendedorismo e Gestão em Negócios de Mídia no curso de Jornalismo da Cásper Líbero e coordenador da Pós em Jornalismo Digital da ESPM. Escreveu, entre outros, O Doce Veneno do Escorpião – Bruna Surfistinha, atualmente em sua 32ªedição no Brasil, e o recente Vinte Mil Pedras no Caminho.