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Fernanda Silva, especial para o Cidadania

Para dar oportunidade, ONG oferece emprego a imigrantes no País

Foto: Fernanda Silva
Foto: Fernanda Silva
Mateus Lima acredita que a iniciativa traz benefícios para os refugiados e também para os brasileiros

Apesar de viver uma vida confortável na Nigéria, seu país de origem, Shakiru Olawale sabia que era possível fugir da falta de saneamento básico e da constante dificuldade para dormir, causada pelo barulho dos geradores de energia, usados para sanar outro problema: a falta do recurso, que se fazia presente apenas 24 horas por semana, na cidade de Lagos, no sudoeste do país. Resolveu então voar para longe. Comprou suas passagens e veio para a Terra Tupiniquim. “Queria ver como é o Brasil, conhecer o Carnaval, não sabia o que esperar”, conta Olawale. Há três anos em terras tupiniquins, hoje, para se manter financeiramente, ele dá aulas de inglês para os estudantes do projeto Abraço Cultural.

A iniciativa une o útil ao agradável. Além de dar aos brasileiros uma oportunidade de aprender novos idiomas com falantes nativos (e fora do eixo Estados Unidos-Europa), a ação também ajuda a inserir refugiados no mercado de trabalho, fazendo com que eles se envolvam e sintam-se parte da sociedade.

“Queremos valorizar a cultura deles dentro da nossa realidade e oferecer algo para os brasileiros”, destaca Mateus Lima Oliveria, assistente de projetos da iniciativa. “Nosso ideal vai para além de uma integração do idioma. Focamos na nacionalidade e na cultura do refugiado. É uma mescla que enriquece e os dois lados saem ganhando”, explica.

Além do idioma

Foto: Acervo Pessoal
Foto: Acervo Pessoal
Shakiru encontrou nas aulas uma forma de constituir sua renda financeira

Para Mateus Lima, o propósito dos alunos que escolhem fazer o curso no Abraço Cultural vai além de querer aprender um novo idioma. “Eles têm empatia e uma alma social. O aluno, que tem interesse em novas culturas, sabe que está ajudando quando faz parte de uma iniciativa assim”, destaca. “O que falta nas aulas convencionais é um propósito social. Aqui, isso acontece. As pessoas entendem que é importante ajudar e que é uma via da mão dupla”.

“Além de conseguir uma geração de renda, esses professores refugiados ganham protagonismo. Eles têm a chance de agir e conseguir socializar-se com os brasileiros, o que pode ser difícil, principalmente no início”, destaca Mateus. Shakiru concorda. “Quando eu cheguei aqui, quase não conseguia me comunicar. Encontrava pouca gente que falava inglês”, recorda o professor. Para ele, além do financeiro, a troca de experiências e a valorização pessoal auxiliam os refugiados. “A ideia é muito legal e ajuda pessoas que, assim como eu, acabam tendo dificuldade em um novo país”, destaca.

Desde 2015, o projeto soma mais de dois mil alunos inscritos, 40 professores beneficiados e 150 turmas. Só Shakiru tem cerca de dez turmas. O dinheiro arrecadado é suficiente para bancar uma vida boa a seus filhos e sua esposa, que não trabalha por uma questão cultural nigeriana, mas que também tem sua vida impactada pelas oportunidades da iniciativa.