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Ato de amar

Fernanda Silva, especial para o Cidadania

Defendendo que educar é a maior demonstração de afeto, Casa do Zezinho já apoiou mais de 20 mil jovens

Fotos: Djalma Vassão/Gazeta Press
Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press
As salas de aula são divididas por faixa etária, cores e temas, como pede a Pedagogia do Arco Íris

É só colocar o pé no número 30 da rua Anália Dolácio Albino, na zona sul da Capital paulista para que os cinco sentidos estralem e mostrem “estamos aqui”. A visão é a primeira. O mundaréu de cores contrasta com a rua cinza que fica do lado de fora quando se entra na Casa do Zezinho. As mesmas cores dão contorno a uma metodologia que complementa o ensino regular e abre “um mundo de oportunidades”, como defende Bruna Marreiro, 16 anos, que há quatro anos frequenta semanalmente o local.

Sua segunda casa, como define a estudante, serve de lar para mais de 900 jovens, beneficiados pela iniciativa fundada por Dagmar Rivieri, há 24 anos. Lar não no sentido de moradia, mas de local de encontro — consigo e com outros. Tia Dag, como é conhecida, define a iniciativa referindo-se a outra construção: uma ponte. “E essas conexões têm que ser atravessadas, é uma via de mão dupla”, destaca a entusiasta. “Ponte tem que ser atravessada. É para ser uma via de duas mãos, para que todos possam chegar”.

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press
Os beneficiados são incentivados a debater temas polêmicos e a ter contato com arte e cultura

O objetivo não é simples: mudar o Brasil com educação. Desde 1994, mais de 20 mil Zezinhos passaram por lá. Parte do legado, inclusive, foi absorvido pelo próprio projeto. Entre os mais de cem funcionários, 80% deles são “ex”-participantes. “’Ex’ não, veteranos”, corrige Dag, que defende: “ninguém deixa de ser aqui”. Ao todo, são 47 projetos, entre educação, saúde, esportes e artes. Lá, a pedagogia do Arco íris foi criada. “Baseada em filosofia, ciência, arte e espiritualidade. Além de estar baseada entre os cinco sentidos entre as pessoas”, explica. “Ganhei muito mais do que dei. Você aprende diariamente com eles.

Coragem para seguir avante

Dagmar não conhece a palavra medo, e tampouco teme dizer isso. Demitida algumas vezes de escolas regulares por não se adaptar ao que lhe era imposto, resolveu iniciar seu próprio projeto. “Eu ficava uns três meses em cada trabalho, mas acabava saindo”, lembra a senhora, hoje, aos 64 anos. Querendo incentivar os alunos, começou, em sua própria casa, um projeto, que recebia crianças com problemas de comportamento e outras questões. Primeiro, foram abrigados jovens refugiados de conflitos em seus países. Depois, chegaram outros que eram procurados e seriam exterminados nas favelas paulistas.

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press
Tia Dag, aos 64 anos, segue à frente da iniciativa e acredita que a educação pode transformar o país

Passaram-se os anos, os problemas e o projeto mudaram. Com o tempo, a iniciativa foi crescendo. “Achava que tinha que misturar todo mundo mesmo, como ainda acho”, destaca.  Agora, são cerca de 900 jovens – e suas famílias – beneficiados pela Casa do Zezinho. “Queríamos e queremos mudar o Brasil com educação”, lembra Dag.

“Nada melhor que um Zezinho para ensinar outro Zezinho”, conta ela, que ainda ressalta que 80% dos profissionais são veteranos. “Quando você trabalha o ser humano, você resgata a autoestima, mostra outras referências, você encanta, seduz e traz todos para cá”

Para idealizar e colocar na prática, precisou de coragem. “E quando está tudo tranquilo, vou arrumar um problema para transformar tudo de novo”, conta, em meio a risos. Segundo ela, sua motivação tem cinco letras: GENTE. “Eles me motivam. Educar é um ato de amor e tenho certeza que ninguém vai sair daqui bandido”.

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press
Bruna Barreiro: “Aprendi muito sobre respeitar”

Zezinho educando Zezinhos

Bruna Barreiro, 16 anos, frequenta um dos desdobramentos da iniciativa desde 2014. Tudo começou por meio do Toca Zezinho, projeto de música em que tocava violão. “Tenho muita gratidão por esse lugar. O que aprendi, o que sou, é tudo graças a ter frequentado aqui”. Depois de ter passado por uma série de atividades no projeto, hoje, sua favorita é a gastronomia. “Podemos escolher o perfil e as atividades que nos encaixamos mais. Temos uma fonte extensa de conhecimento, não nos limitam e fazemos debates variados. Não somos obrigadas a fazer nada, fazemos porque gostamos”, ressalta a jovem.

Para ela, estar em contato com professores ex-zezinhos é também ter uma referência. A maioria que frequenta aqui hoje, sonha em um dia ser um educador”, compartilha Bruna. Tal sonho se realizou para Michael Douglas. Lá, ele começou em 2009, fazendo um curso de design gráfico, aproximou-se da área e acabou fazendo especialização e graduação na carreira. Hoje, é analista de comunicação do projeto.

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press
Na Casa do Zezinho as cores estão presentes em todos os lados

Além da vida profissional, mudou também a vida pessoal. “A gente passa a pensar no outro, a ver o próximo”, destaca. “A Casa te ajuda a ir atrás de seus sonhos. Hoje, como educador, tento ajudar a vida desses novos Zezinhos, principalmente em um bairro com poucas opções de lazer como o nosso”.