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Aquecendo lares através do empreendimento social

Bianca Mascara, especial para o Cidadania

Projeto capacita pessoas na montagem de aquecedores solares de baixo custo, que podem ser usados em casas da periferia e promover a consciência sustentável

Fotos: Divulgação
Foto: Divulgação
Curso forma especialistas e voluntários na Sociedade do Sol, em São Paulo

A sustentabilidade é uma das questões de primeira ordem no mundo moderno. Entretanto, as medidas sustentáveis nem sempre andam em paralelo aos baixos custos. Essa é uma das grandes dificuldades daqueles que buscam difundir a vida em concordância com a natureza.

Essa tem sido uma das preocupações de um grupo de pesquisadores de São Paulo, que começou seus estudos antes mesmo da virada de século, em 1999. O resultado foi a formação da Sociedade do Sol, que disponibiliza cursos de capacitação e montagem de aquecedores solares de baixo custo. Porém, esse é só o começo de uma história que vai levar esses equipamentos para os lugares mais longínquos do Brasil.

Pois foi nesse curso que o geógrafo Rafael Xavier aprendeu a montar os aquecedores e se engajou na causa sustentável e solidária. Ele virou um dos monitores do projeto e, junto com os demais, iniciou o trabalho de difusão dessa tecnologia barata.

“Eu tenho grande gosto de trabalhar com a educação e meu trabalho é disseminar a energia solar”, afirma Xavier, com o seu acalorado sotaque mineiro. “Fui para São Paulo, me capacitei no curso da Sociedade do Sol e vi que a gente podia replicar isso aqui em Belo Horizonte, já que não existiam pessoas trabalhando com essa tecnologia aqui”, contou.

O trabalho foi colocado em prática no bairro da Concórdia, na capital mineira. Trata-se de um dos bairros mais antigos de Belo Horizonte, cuja valorização imobiliária é pequena e os moradores, em sua maioria, de baixa renda. A renda é pequena, felizmente as contas de energia ficaram mais baratas. Se você questionar os moradores sobre a água, eles certamente responderão: “quentê”, como bons mineiros. Só não exijam que a bugiganga instalada seja chamada de aquecedor solar, é o “trem lá do telhado” e ponto final.

Os moradores de Concórdia não são os únicos que estão desfrutando dessa tecnologia. Diversos monitores dão conta de espalhar os aquecedores solares. Vivemos em um país tropical, de Belém do Pará a Taquara, no Rio Grande do Sul, o equipamento vem trazendo grandes resultados e baixos custos.

“O grande barato do negócio é que tem mais gente fazendo isso por aqui, depois que eu fiz o meu em casa. O povo ficava receoso quanto ao funcionamento, não botavam fé, depois que viram funcionar e eu economizar energia, querem fazer o mais rápido possível”, relatou Rafael Mendes, morador de Belém.

“O que a gente quer é levar um aquecedor solar em cada lar, é disseminar a energia solar de maneira popular”, complementa Xavier. Para aqueles que imaginam o aquecedor solar como um aparato muito tecnológico e complexo é preciso reformular essa ideia. O curso de capacitação tem duração de um dia. Não estamos falando de 24 horas em aula, são oito horas e meia disponibilizadas para uma grande transformação. “Você já sai do curso praticamente um técnico em energia solar”, garantiu o geógrafo. O custo do curso é de aproximadamente R$140, porém, assim como Rafael Xavier outros tantos monitores encaram a formação com viés social e o beneficiado, nas regiões mais necessitadas, só tem a ganhar. É uma doação de energia em prol social.

“A minha maior felicidade em trabalhar com isso é ver a transformação das pessoas. Ao passar a usar uma energia mais limpa, ao pensar na conservação de energia, ela passa a ser uma pessoa mais engajada no comportamento sustentável”, concluiu o empreendedor social.

Foto: Divulgação

Furo, corte e colagem - O barateamento do processo é feito com a utilização de materiais plásticos, onde o metal não é de extrema necessidade, como tubos de PVC. A montagem também é simples e não exige nenhuma técnica muito apurada. Basta ter o conhecimento do curso ou de um monitor capacitado. O manual fica disponível no site, embora pareça complexo para aqueles que não têm o conhecimento da tecnologia.

“Ele utiliza polímeros, materiais plásticos, o que vai baratear o preço final desse sistema, permitindo a maior parte da população ter acesso ao sistema de aquecimento solar”, explica Xavier.

“As técnicas utilizadas em todo do processo de fabricação, montagem e instalação do sistema, são basicamente furo, corte e colagem. As ferramentas são manuais e domésticas, isso significa que qualquer pessoa (jovens, mulheres, idosos e profissionais de todas as áreas)  pode instalar um aquecedor solar em sua residência”, ressalta.

O uso dessa tecnologia em casas populares já rendeu muitos resultados, além da queda no valor da conta, há um processo de conscientização da população quanto ao comportamento sustentável, que não se resume apenas na utilização de energia solar, mas em tantas outras atitudes traçadas em concordância com a natureza.

O primeiro passo é a iniciativa. “Você pode fazer um aquecedor solar, você tem todas as condições para isso, basta você buscar o apoio da Sociedade do Sol, para passar também a se engajar nessa rede, não só fazer o seu próprio aquecedor. Mas ser um multiplicador dessa tecnologia, seja um empreendedor, que fabrica, vende e instala, seja um educador que vai ensinar as pessoas e fazer oficinas dentro de sua comunidade ou seja um usuário, aquele que vai usar e incentivar seus vizinhos”, finalizou.


MAIS INFORMAÇÕES

http://www.sociedadedosol.org.br/