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Fernanda Silva, especial para o Cidadania

Entenda a iniciativa que personaliza carroças de catadores de resíduos

Foto: PV/Divulgação
Foto PV/Divulgação
Mais de 700 catadores já foram beneficiados com a iniciativa

Uma carroça cheia de entulhos, alguns equipamentos de funilaria e muita tinta. Esses são os recursos básicos e necessários para uma ação do projeto Pimp my Carroça. Tudo começou em 2007, quando o grafiteiro Mundano percebeu que poderia encontrar nas carroças um suporte diferenciado para suas obras de protestos. Na época, o objetivo era evidenciar as contradições sociais e despertar o papel de cada um para a resolução dos problemas coletivos. Quatro anos depois, a iniciativa se tornou um projeto. Hoje, os dados mostram a dimensão da iniciativa: ao todo, oito países e 39 cidades já foram impactadas, somando 709 catadores.

A proposta parece simples: personalizar uma carroça. Contudo, os resultados sociais da iniciativa vão muito além de uma cidade um pouco mais colorida. “O movimento luta para tirar os catadores de materiais recicláveis da invisibilidade e promover a sua autoestima. A pintura de frases de efeito nas carroças aumenta a interação das pessoas com os catadores. Além disso, uma carroça toda grafitada deixa o catador mais feliz e quebra muitos paradigmas e preconceitos”, afirma Carol Pires, coordenadora de comunicação do projeto.

A ideia é valorizar o trabalho desses “verdadeiros agentes ambientais”, responsáveis pela coleta de mais de 90% de tudo que é reciclado no Brasil. Em 2013, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o país tinha 400 mil catadores de resíduos — que vivem com uma renda média de R$ 571,56 por mês. Ainda segundo a pesquisa ‘Diagnóstico sobre Catadores de Resíduos Sólidos’, “o catador tenta construir uma identidade própria perante a sociedade e, ao mesmo tempo, desenvolver na categoria o sentimento de autoestima e de orgulho da atividade. ”

Foto: Carol Ogando/Divulgação
Foto: Carol Ogando/Divulgação
Todo o custo das pinturas é arcado pela iniciativa, por isso, os artistas não precisam levar seus materiais

É justamente nessa questão que o Pimp My Carroça quer atuar: “Os catadores se sentem mais seguros e orgulhosos de andar pela cidade [quando participam do projeto]. Muitos comentam que aumentaram os pedidos de coleta de material reciclável (e, consequentemente, aumentaram sua renda). As pessoas pedem fotos com eles, conversam e os ajudam com doações ou apenas um agradecimento, ” defende Pires, que acredita ser possível tirar estes profissionais da invisibilidade.

Além de pintar o ganha-pão desses profissionais das ruas, a iniciativa também oferece outros serviços estruturais e estéticos para as carroças, como consertos (com os serviços de funilaria), troca de pneu e a instalação de alguns itens de segurança (por exemplo, retrovisores e faixas refletivas).

O grafiteiro Helder Holiveira, 49 anos, de Embu-Guaçu (SP), já participou da iniciativa. Para ele, a arte e afeto, juntos, podem transformar o indivíduo e consequentemente a sociedade em que ele vive. “Entendo que uma sociedade justa e fraterna só é possível quando conseguimos enxergar o outro. Em 2014, comecei a grafitar flores nas carroças dos catadores, com a frase ‘te desejo flores no caminho’. O retorno foi bastante positivo, pois fez sentido para eles e as pessoas ficavam tocadas ao lerem a frase com flores nas carroças. Os catadores têm um papel importante na sociedade e a gente precisa vê-los”, disse o artista.

Além dele, mais de 550 grafiteiros já participaram do projeto. Edpaulo Cardoso Moraes, é de Belém, capital do Pará, e colaborou em uma ação na cidade. “O grafite e outras atividades somam para uma nova perspectiva dando voz a seja qual for à luta ou protesto”, acredita ele.

Para se manter financeiramente, o Pimp My Carroça arrecada dinheiro principalmente por meio do crowdfunding. O grupo também se inscreve em prêmios, editais e busca apoio com fundações. “Existem várias formas de ajudar o Pimp: como voluntário, como artista, como empresa, doador, e até com pequenas ações do nosso dia-a-dia, por exemplo, dando bom dia ao catador”, afirma Carol.