GRUPO DE CIDADANIA EMPRESARIAL


Desenvolvimento de programas socio-educativos.

Entre em contato e torne-se um parceiro do Grupo.

Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.

Inscreva-se para receber nossas informações e novidades.

A natureza pede menos CO2 e a 350 transmite o recado

Bianca Mascara, especial para o Cidadania

Campanha internacional organiza manifestações para pressionar autoridades e alertar a população sobre os problemas do aquecimento global

Fotos Divulgação
Fotos Divulgação
Não falta criatividade para os membros do 350 protestarem

O número 350 indica o limite da quantidade de carbono em partes por milhão (ppm) que o planeta suportaria antes de sofrer as graves consequências do aquecimento global. O derretimento das geleiras, a propagação de doenças em virtude de temperaturas mais elevadas que favoreceriam a proliferação de insetos transmissores; enchentes devido à quantidade anormal de chuvas e períodos secos que prejudicariam a produção de alimentos e o sustento de famílias são algumas das previsões catastróficas em consequência das mudanças climáticas no globo. Entretanto, esses fenômenos já acontecem em menor escala. Catástrofes naturais têm ocupado o noticiário. Elas estão em destaque, porque a atual concentração de CO2 na atmosfera supera 390 ppm.

O número assusta, mas milhares de pessoas estão engajadas em reverter os efeitos do aquecimento global antes que seja tarde de mais. O limite proposto pelos cientistas e estudiosos da área foi ultrapassado e a meta agora é diminuir esses números. Para reverter um problema de dimensão global, é preciso uma ação da mesma envergadura, por isso a 350.org trabalha em 188 países com a ousada missão de salvar os planeta. Essa missão não foi concedida a nenhum super-herói dos quadrinhos, ela foi atribuída a cada um de nós.

“A 350.org é uma campanha internacional que está construindo um movimento global para unir o mundo em busca de soluções para a crise climática. Nossa teoria de mudança é bem simples: se um movimento internacional de bases conseguir responsabilizar os nossos líderes vinculando-os às últimas descobertas científicas e aos princípios de justiça, podemos promover a transformação global de que tanto precisamos e que garantirá um futuro melhor para todos”, explica Juliana Russar, coordenadora da 350.org no Brasil.

Ciente de que a meta somente será atingida com a colaboração de todos, contando com pequenas e grandes ações, a 350 tem como trabalho de base a conscientização e para isso promove ações criativas, mas não menos críticas que procuram chamar a atenção das autoridades e dos cidadãos ao redor do planeta.

A internet é uma importante aliada na transmissão de informações em cadeia, mas os protestos ultrapassam as ações online. Em 2009, a 350 coordenou 5200 marchas e manifestações simultâneas em 181 países. O feito ganhou destaque internacional e foi considerado pela rede CNN como o “mais abrangente dia de ação política da história do planeta”.

“Procuramos organizar nosso trabalho de novas maneiras, utilizando ferramentas online para facilitar nossas ações off-line. Por exemplo, em todos os dias globais de ação da 350.org, desde 2009, a web foi utilizada antes do dia para espalhar o chamado para nossa rede de organizadores em mais de 188 países, fornecer ferramentas e materiais de apoio para eles, chamar pessoas para se juntarem à ação mais próxima e também durante e depois para dar visibilidade e unir globalmente as milhares de pessoas do mundo todo que estão buscando soluções localmente para as mudanças climáticas”, conta Russar.

Fotos Divulgação
Com a mensagem “Eu estou derretendo”, ativismo invade as geleiras

A atuação da organização não se limita apenas a protestos, também lidera ações efetivas para alterar a situação do planeta. Exemplo disso aconteceu no dia dez de outubro de 2010, o 10/10/10, quando foi comemorado a Festa do Trabalho Global, com 7000 eventos que realizaram desde a instalação de painéis solares até a montagem de jardins comunitários.

O ativismo pacífico segue em pauta na 350, pois a cada ano, o número de unidades de carbono na atmosfera aumenta cerca de duas partes por milhão.

Para os membros da organização, é preciso aprovar acordos internacionais para a redução de carbono, bem como pequenas ações com a colaboração de todos, que devem adotar medidas sustentáveis no cotidiano. Logicamente, grandes empresas e autoridades dos maiores países do mundo possuem uma importância significativa nesse processo, mas caberá aos cidadãos pressioná-los.

“Atualmente, nossa campanha global tem como alvo a indústria de combustíveis fósseis, pois sabemos que as reservas de petróleo, carvão e gás natural dessas empresas excedem 2.795 gigatoneladas de CO2 ou cinco vezes mais do que podemos emitir se quisermos evitar mudanças climáticas catastróficas”, afirma a coordenadora. “Não existe nenhuma taxa ou punição para que parem de emitir e isso não vai existir enquanto o poderoso lobby desse setor continuar infiltrado nos centros de poder e influenciando os líderes mundiais. Além disso, a indústria de combustíveis recebe bilhões de dólares de subsídios ao redor do mundo para executar suas atividades”, protestou a ativista, que acredita na força das energias limpas e renováveis.

Fotos Divulgação
Projeções são um dos artifícios usados para chamar a atenção

A China lidera o ranking e é o maior desafeto do planeta. Os Estados Unidos estão na segunda posição, mas diminuíram a inimizade com o meio ambiente no último ano. Os números da Agência Internacional de Energia (AIE) apontam que os norte-americanos reduziram a emissão de dióxido de carbono, principalmente em virtude da adoção do gás natural no lugar do carvão e também pela crise econômica que diminuiu a demanda energética. No entanto, isso ainda não representa uma solução, pois o processo de armazenamento de gás natural pode causar eventuais liberações de metano, outro e mais importante gás estufa.

A ideia da 350.org com o objetivo de atingir a meta de redução é através da adoção de alternativas sustentáveis para a obtenção de energia, como a implantação de painéis solares, o fim de desmatamento, bem como o plantio de árvores, e a redução do desperdício de energia. Os mecanismos são os ativismos, cujo foco é conscientizar e sensibilizar as autoridades.

Brasil e a Rio +20

O Brasil não se insere entre os maiores no que diz respeito à produção de combustíveis fósseis, embora a exploração da camada pré-sal no litoral brasileiro possa alterar essa perspectiva. O incentivo à produção de etanol a partir da cana de açúcar é uma medida positiva para a natureza, todavia, há outros fatores que preocupam as ambientalistas, haja vista que parte do território nacional é ocupado pela Floresta Amazônia, constantemente vítima do desmatamento. “No caso do Brasil, por exemplo, recentemente apoiamos campanhas de organizações parceiras relacionadas à mobilidade, Belo Monte, Código Florestal”, ressalta Juliana Russar.

Recentemente, o Brasil foi sede de um dos encontros mais importantes do mundo para as discussões e tomada de decisões sobre o meio ambiente: a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, conhecida como Rio+20. A 350.org esteve presente e participou dos diálogos.

“Fizemos um tuitaço pelo fim dos subsídios aos combustíveis fósseis, que conectou a Rio+20 com as negociações do G-20 e com manifestações no mundo inteiro, e trouxe de volta às mesas de negociações a discussão sobre o tema”, ressaltou Russar. “Fomos também até a Cúpula dos Povos, e participamos do encontro intergeracional com a Marina Silva e tantos outros que estão lutando por um mundo melhor e que serviram de fonte de inspiração para as mais de duas mil pessoas que estavam ali”, completou.

Mais informações: www.350.org